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Então é Natal…E o que Jesus tem a ver com isso?

TUDO!

“Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele.” — Colossenses 1:15-16

Nessa data tão controversa, onde cada um enxerga de uma maneira diferente, muitas vezes acabamos esquecendo qual o real sentido do Natal, que é para celebrar o nascimento de Jesus Cristo, nosso Salvador. Não vou entrar em discussões e detalhes sobre essa não ser a possível real data do nascimento, ou sobre o natal ser comemorado por conta de São Nicolau, ou et cetera.

Essa é uma data de comemoração, onde deveríamos estar com nossos corações cheios de alegria pois nasceu Aquele que veio tirar o pecado do mundo para todos que nEle crer!

Se você assim como eu um dia estava na maior merda, com um vazio existencial, vivendo a mercê de sua própria vontade, crendo ser autônomo e fazendo tudo que lhe vinha a mente…e hoje graças ao Redentor tem uma nova vida, lavada de todos pecados, com uma nova oportunidade de um novo start, alegre-se! Foi para isso que nasceu o Filho de Deus, o primogênito.

O Natal não é, ou pelo menos não deveria ser, uma data para alavancar o consumismo desgraçado desenfreado, que vai justamente contrário a tudo que Cristo pregou em Sua vida. O Natal não é apenas para você encher a barriga até um ponto em que não aguenta mais comer, não que isso não seja delicioso.

Damos presentes a quem gostamos, resgatando a simbologia dos três reis terem levado presentes à Jesus, mas eu me pego perguntando: Qual o presente que tenho dado para Jesus? Não que ele precise de presentes, mas Ele é merecedor de tudo aquilo que podemos dar em adoração, esse é nosso presente que podemos levar não à manjedoura, mas ao altar em que Cristo habita, nossos corações.

Também podemos dar um “presente” para Ele, saca só:

Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram;
necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’.
“Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber?
Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos?
Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar? ’
“O Rei responderá: ‘Digo-lhes a verdade: o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram’.
— Mateus 25:35-40

Que nesse Natal, nós possamos refletir sobre qual o real sentido dessa data e com a ajuda de Deus, mudar toda e qualquer concepção errada que ainda carregamos. E que o “espírito natalino” não seja apenas nos 25 de dezembro de nossas vidas, mas seja em toda vida integralmente. Que a gente possa ter consciência de que o Deus do Universo por amor pela sua criação, veio a terra em forma de homem humilde para nos deixar mensagens de vida, paz e esperança, e morrer a pior morte (para a época) possível em função de libertação do pecado e nos levar próximo a Ele.

Todo menino quer ser homem.
Todo homem quer ser rei.
Todo rei quer ser Deus.
Só Deus quis ser menino.

— Leonardo Boff

“Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.”
— Isaías 9:6

 

Qual sua moeda?

Essa manhã assim que eu acordei logo tive uma ideia muito boa e pensando um pouco vi que não seria muito difícil colocá-la em prática. O que eu queria fazer precisava com certeza estar alinhado a vontade de Deus, afinal isso seria pra Ele e então eu me coloquei a orar sobre isso.

Assim que comecei a orar, instantaneamente veio um sentimento de “putz eu não tenho feito coisas muito legais e acho que antes de mais nada preciso pedir perdão”, e então pedi perdão a Deus por algumas coisas, mas eu não estava realmente arrependido de nada daquilo, apenas pedia como se fosse um tipo de ritual que eu tinha que fazer antes de pedir algo pra o Todo-Poderoso. Me senti um lixo!

As vezes a gente entra numa religiosidade (ou até mesmo falta disso) e buscamos algum jeito de poder chegar a Deus, nós pensamos em algo que queremos e o que podemos dar a Ele. É como se tivesse uma máquina de refrigerante, nós adicionamos o valor das moedas, escolhemos nosso sabor preferido e a latinha cai magicamente e então desfrutamos.

Qual sua moeda de troca? O que você dá (ou pelo menos tenta dar) para Deus em troca daquilo que você quer?

Nós não precisamos mais sacrificar animais num templo, não precisamos fazer rezas repetidas, dizimar altos valores na igreja esperando algo em troca, dizer palavras a Deus como se fosse um ritual (assim como eu fiz), ajudar a velhinha atravessar a rua, nem nada disso para chegar a Deus.

Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês.Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.Pois pela graça que me foi dada digo a todos vocês: ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas, pelo contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu.
Romanos 12:1-3

Nosso Deus é um Deus pessoal, Ele realmente se importa com a gente e está sempre presente em tudo que fazemos. Quando nós oramos, não é como se Deus fosse um gênio da lâmpada que realiza nossos desejos e nós precisamos fazer algumas coisas para Ele, o que precisamos é como Paulo diz: nos oferecer como sacrifício vivo, santo e agradável, na carta aos Efésios, aos Romanos e em Hebreus diz que precisamos de fé, em Lucas Jesus diz que precisamos amar a Deus acima de todas as coisas e negar a nós mesmo e assim por diante.

Pare de barganhar com Deus!

Nós não podemos “manipular” Deus, Ele já sabe de todas as coisas, do antes, do agora e do depois, Ele conhece todos os desejos e intentos do nosso coração. Ele não precisa de nós, nós sim precisamos dEle. A oração não transforma Deus, ela transforma a nós mesmos.

A oração é uma conversa que temos com Deus assim como temos (ou deveríamos ter) com nosso pai/mãe. É onde expomos nossas alegrias e tristezas, conflitos internos, desejos, pedimos perdão pelos erros, agradecemos por tudo que Ele nos proporciona na vida, damos honras e glórias a Cristo.

 

 

 

Não consigo deixar de acreditar em Deus

Eu confesso, já tentei deixar de acreditar em Deus. E não foi apenas uma vez não, foram várias!

Já tentei deixar de acreditar nEle em momentos ruins da vida, momentos bons, momentos filosóficos, reflexivos, existenciais e mais em um monte de momentos que no final fracassei nessa tarefa.

Os mais religiosos irão dizer: “Claro que não consegue deixar de acreditar, afinal Ele existe, negar o que existe é loucura”. Tá, pode até ser…mas não é beeem assim…

Eu fui cético/ateu por praticamente 20 anos da minha vida, nos últimos anos de meu “ateísmo” eu tinha argumentos muito fortes e convincentes  que facilmente acabariam com o de qualquer crente (crente em uma divindade e não necessariamente a religião cristã evangélica), pra falar a verdade, esses argumentos ainda vencem de um crente, afinal não é possível provar a existência do divino. Durante todo esse tempo eu sempre senti aquele famoso vazio existencial onde nada podia preenche-lo. Sério, procurei suprir esse vazio em quase todos os lugares possíveis, filosofia, psicologia, esportes, aventura, relacionamentos, psicodelía, matemática, química, lógica, artes, criatividades, etc, mas em nenhum lugar preenchia.

Eis que um belo dia eu tenho uma experiência com Deus!

Mas como assim, cara, de uma hora pra outra aquele maluco cheio de ideias e opiniões começa a acreditar nas mesmas baboseiras que os chatos da igreja? Para com isso! A psicologia e a biologia (ciência no geral) conseguem provar que a fé e crenças em um ser divino são reações nervosas/químicas que ocorrem no cérebro do indivíduo, não tem nada de divino nisso, mané!

Ok, pode até ser que seja isso mesmo! Mas seja lá se for reação na cabeça, piração de alguma droga alucinógena ou um sonho, eu não posso e não consigo negar Deus!

Pra todos os lados em que olho eu vejo Deus, e esse Deus que eu vejo é muito além de uma “energia” ou “força” invisível que rege o Universo, Ele é um Deus pessoal que se importa e cuida da sua criação (não esse não é um nenhum sentimento/desejo paterno reprimido que tenho).

Deus se manifesta o tempo todo e em todos os lugares, basta prestarmos mais atenção, seja na natureza, na música, no teatro, num livro, no voar de um pássaro, num alimento, na água…quanto em um pensamento, no silêncio, no abraço, no beijo, no perfume e principalmente nos relacionamentos. Tudo que existe é para Sua glória!

As vezes no correr dos dias, em meio a questionamentos, egocentrismos e fraquezas, me ocorre de colocar em cheque justamente para onde eu deveria estar correndo em direção e quando isso acontece, por mais relutante que eu fique, não consigo nega-lo, simplesmente não consigo.

Que Deus me perdoe por todas essas crises e questionamentos. Que Deus me ajude a ter sempre e cada vez mais, uma fé fortalecida no Verbo, na Verdade, em Jesus Cristo. Afinal pra onde irei eu se apenas o Senhor tem a palavra de VIDA?!

E convenhamos, nada como as crises para nos reerguer ainda mais fortes e com a fé mais firme. 🙂

Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém.

Romanos 11:36

Jesus é amigo de gente ruim

Durante uma refeição na casa de Levi, muitos publicanos e “pecadores” estavam comendo com Jesus e seus discípulos, pois havia muitos que o seguiam.
Quando os mestres da lei que eram fariseus o viram comendo com “pecadores” e publicanos, perguntaram aos discípulos de Jesus: “Por que ele come com publicanos e ‘pecadores’? ”
Ouvindo isso, Jesus lhes disse: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores”.
Marcos 2:15-17

Os religiosos sempre atacam e criticam atitudes diferentes a aquelas que eles estão acostumados a vivenciar. Jesus causou escândalo ao sentar a mesa para comer e beber junto com gente ruim.

Se Jesus andou com a escória, nego ruim…Nós também podemos, porém nunca se esquecendo que Ele não andava com eles para fazer as mesmas coisas que eles faziam – Levi por exemplo, que estava sentado nessa mesa junto com Jesus, era um cobrador de impostos, pessoa desonesta que cobrava imposto ilícito, enganava o governo e era odiado pelo povo -, mas como podemos ver nos Evangelhos, Jesus veio para trazer vida, perdoar, salvar, ensinar, etc.

Jesus veio para quem é zuado, lixo de pessoas, imprestáveis, detestáveis.

Jesus veio para você mentiroso, punheteiro, fofoqueiro, ladrão, rebelde sem causa, evangélico, católico, macumbeiro, muçulmano, judeu, gay, bêbado, estuprador, pedófilo, drogado, e corinthiano.

Ele é o único com autoridade para perdoar pecados, pois Ele foi o único a entregar-se na cruz por amor a esse monte de gente ruim e depois ressuscitar e viver eternamente na glória.

O outro lado da Parábola do Filho Pródigo

Como é de conhecimento de muitos, a Parábola do Filho Pródigo (Lucas 15:11-32) conta a história de um rapaz que decidiu levar a vida como bem entendia, então pediu sua parte da herança para seu pai e caiu no mundão atrás de diversão, prazeres e sabe-se Deus mais o quê. Um belo dia ele percebe que não tinha mais nada e estava passando por necessidades, chegando até mesmo a desejar comer a comida que os porcos se alimentavam e então num despertar retorna para a casa de seu velho, arrependido de seus atos.

Na parábola vemos que o pai feliz e compadecido com o retorno, manda matar um boi, trazer roupas boas, vinho (na história não tinha, mas creio que deviam ter tomado), anel e dar uma festança. Seu outro filho fica de mimimi reclamando para o querido papai que ele sempre esteve ao lado dele e nunca deu nada, já o filho que abandonou tudo e foi pra putaria, volta e ganha tudo do bom e do melhor.

O pai então diz que o filho sempre esteve ao seu lado e tudo que lhe pertence, também é dele, ou seja, se ele quisesse ter dado uma festa pros amigos, ele poderia ter dado, se ele quisesse um anel ou uma camiseta da Lacoste, ele teria, bastava pedir.

Dada a introdução com toda a história, vamos aos fatos para nós hoje em dia:

Quantas vezes ao invés de estarmos na pele do filho pródigo, não estamos na verdade na do irmão ingrato? Claro que muitas vezes nós caímos e somos deixados à mercê de nossos próprios desejos e paixões para que uma hora haja arrependimento, mas eu mesmo me pego com frequência reclamando ou não dando valor daquilo que Deus já me deu e disponibiliza pra mim a qualquer momento.

Quantas vezes nós deixamos de pedir algo pra Deus por falta de fé, preguiça, medo ou descaso? Em Mateus 7 está escrito que se pedirmos, receberemos, obviamente que o Pai não nos dará aquilo que não seja de Sua vontade, se nem mesmo o “cálice” ele afastou de Cristo, seu Filho unigênito, quanto mais para algo conosco, porém Ele diz para pedirmos, devemos sim ter discernimento naquilo que iremos pedir, mas devemos pedir.

No verso 29 da parábola, vemos que o irmão era um filho obediente, cumpria as ordens, seguia as Leis, jovem trabalhador…

Quantas vezes nós estamos vivos (ao contrário do filho pródigo no verso 32), somos obedientes, educados, seguimos as Leis, temos uma boa teologia e tudo mais, porém não nos satisfazemos com a melhor coisa que podemos ter: O Deus vivo em nós, nos abençoando e nos amando o tempo todo. Vivemos de maneira fria, sem nos relacionar e prestar honras e glórias a Deus, sabendo que temos seu Reino presente em nossas vidas.

Que Deus nos ajude a não sermos o irmão do filho pródigo, mas sim filhos fiéis e agradecidos por tudo aquilo que o Senhor já tem nos dado.

Sola Gratia!

Perder para ganhar

Quantas vezes você precisou chegar próximo ao do fundo poço (ou mesmo no final dele) para que algo mudasse dentro de você?

Isso não se aplica como regra universal pra tudo, mas no geral podemos observar que a maioria das transformações e “caídas na real” são baseadas em uma perda inicial para depois provavelmente virar em algo melhor.

Já perdi as contas de quantas vezes eu estive na merda, tanto em conflitos internos com meu EU, quanto com conflitos externos com pessoas, sociedade, sistemas, etc…e até mesmo conflitos com Deus. Todos esses conflitos, por mais duros que sejam, fazem de nós pessoas melhores, com mais sabedoria e discernimento. Como o apóstolo Paulo disse em sua segunda carta aos Coríntios 12:10:

Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte.

É o Espírito Santo de Deus, que nos consola, traz esperanças, conforto e forças para lutar e seguir em frente.

Isso tudo me lembra muito a parábola do Filho Pródigo (Lucas 15:11-32), o filho pede sua parte da herança pro pai, vai para o mundão curtir a vida da maneira que bem entendeu, de maneira autônoma, fez de tudo que pôde pra curtir até ficar em um estado deplorável e então um dia caindo em si percebe a desgraça que estava e então retorna para o pai. Ele precisou perder pra ganhar…precisou se perder para achar.

Uma outra passagem que nos mostra o quanto isso é real e importante, está em 1 Coríntios 5:4-5 em que Paulo diz:

…entreguem esse homem a Satanás, para que o corpo seja destruído, e seu espírito seja salvo no dia do Senhor.

O objetivo dessa entrega da pessoa para o Diabo, não é de uma total perdição eterna, mas sim para que gere arrependimento e assim possa voltar para o Senhor, a partir de onde caiu.

Após esse turbilhão, estando nós firmes novamente, devemos tomar cuidado e vigiar para não cair no mesmo erro (1 Coríntios 10:12-13) e saber que aconteça o que acontecer, temos sempre o Deus da Justiça que nos perdoa e nos ajuda a levantar para um novo recomeço.

As vezes precisamos dar 10 passos pra trás para avançar 1, mas acredite, vale a pena!

Evangelho mamão com açúcar

Desde que me conheço por gente vejo em todos os lugares pessoas passando a mão na cabeça de outros com objetivos quase sempre deturpados, normalmente tentando convencer de algo, atrair para aquilo que deseja ou por simplesmente ser um grandessíssimo éfe dê pê e querer te ferrar de alguma maneira. E no meio evangélico/cristão não é nem um pouco diferente,  é muito pregado um evangelho bonzinho, onde basta você fazer isso ou aquilo e kaboom, como num passe de mágica algo m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o e tremendo irá acontecer na sua vida, me desculpem, mas eu não acredito nem um pouco nesse evangelho.

O evangelho que creio é aquele onde é falado sobre a Cruz, sobre morte e ressurreição, sobre pecados e arrependimentos, sobre um Pai que nos ama e entregou seu Filho para me tirar do buraco que eu estava.

Uma das maneiras que enxergo Deus é como um pai, talvez seja até um tanto quanto simplista e inocente, mas totalmente profunda. Quando me lembro de minha infância e adolescência onde eu ainda vivia com meus pais e estava sobre total cuidado deles (não que eles ainda não cuidem de mim) eu recordo da quantidade de coisas que eu aprontava e dava dor de cabeça pra eles, toda vez que eu causava algum tipo de estrago, eu trazia tristeza pra eles, destruição pra mim, distanciamento do amor sadio e aproximação da delinquência, mas minha mãe e meu pai por me amar tanto, mesmo diante de tantos problemas que eu trazia, continuavam a me amar e tomavam atitudes para tentar fazer de mim um filho melhor.

Não era passando a mãozinha na minha cabeça que eles me repreendiam, mas sim com cintadas, castigos e claro, muita conversa, principalmente conversa, minha mãe sempre foi um grande exemplo pra mim e me ensinou que a conversa e a verdade é muito importante pra resolver situações e claro que uns tapas ajudavam eu a “digerir” essas informações. Nessas conversas, umas calmas outras pegando fogo, sempre foi apontando aquilo que eu estava fazendo de errado para uma possível correção.

Eu creio muito que Deus cuida de mim da mesma forma, aliás, muito melhor e creio também que o Evangelho que temos que pregar seja sincero e principalmente condizente com as Escrituras.

Quando o jovem rico foi perguntar pra Jesus como fazer para herdar a vida eterna, Jesus disse que ele deveria vender tudo que tinha e dar aos pobres, o jovem babaca não queria fazer isso e foi embora (Marcos 10:17). O que foi que Jesus fez quanto a isso? Nada, absolutamente nada em relação ao jovem, ele simplesmente o deixou ir e mostrou para seus discípulos o quão difícil é entrar no Reino de Deus. Jesus não passou a mão na cabeça do cara implorando “amado, por favor, não faça isso, não vire as costas para mim, vende tudo por Meu amor!”

Quando alguém está afundado em pecados não adianta absolutamente nada fazer cafuné nessa pessoa, isso só causaria ainda mais desgraça na vida dela. A melhor solução é o reconhecimento do erro e arrependimento, é pra isso que Jesus nos chama, para nos arrepender de todos nossos pecados e viver uma vida no Caminho certo, para suportarmos os tempos difíceis e amarmos uns aos outros.

A missão de todo cristão

“Todo cristão ou é um missionário ou é um impostor.”
Charles Haddon Spurgeon

Essa frase de Spurgeon resume e muito que todo cristão deve ser um missionário. Não existe vida cristã que não se resuma a uma missão, Jesus nos deu uma Grande Comissão (Mt 28:19), o muito falado e pouco praticado “Ide”.

Vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Mateus 28:19 – NVI

Fazendo uma rápida consulta no dicionário (Michaelis) pela palavra missão, temos o seguinte:

missão
sf (lat missione) 1 Ato de mandar. 2 Comissão, encargo, incumbência. 3 Comissão diplomática. 4 Delegação divina conferida num intuito religioso. 5 Sermão doutrinal. 6 Os missionários. 7 A pregação dos missionários. 8 Estabelecimento de missionários. 9 Compromisso, dever imposto ou contraído, obrigação. 10 Certo número de pessoas enviadas em missão. 11 fig Razão de ser, fim.

E Comissão em sua origem em Latim: committere, “unir, juntar, combinar”, formado por com-, “junto”, mais mittere, “enviar, lançar”.

Chega de enrolação…

Muito se fala na cena cristã sobre enviar missionários pra lá e pra cá, criar estratégias de evangelismo, atrair ovelhas para a igreja, etc. Primeiramente quero deixar bem claro que eu não sou contra a nada disso, muito pelo contrário, acho super válido qualquer atitude (que não transgrida nenhuma Lei) para se levar o Evangelho de Cristo a todas pessoas.

Quase que de vez em sempre os cristão (inclusive eu) fazem uma separação entre a vida na igreja e a vida fora dela, onde dentro do templo e junto de outros de seu mesmo clubinho particular tem uma postura, mas quando estão fora desse ambiente, no dia a dia no trabalho, escola, mercado, andando na rua, nem sequer lembram que a vida não se resume a correr atrás de seus próprios interesses.

Jesus nos deu essa Grande Comissão não apenas para certos momentos da vida praticarmos, mas para vive-la constantemente, 24 horas por dia, onde quer que estejamos e o melhor de tudo que é que Ele nos dá seu Espírito Santo para nos capacitar a fazer todas as tarefas e falar aquilo que Ele mesmo quer que nós falemos.

Sou muito a favor de missões transculturais, onde se é levado as Boas Novas de Cristo para pessoas que não tem acesso a elas por algum motivo, sou a favor de evangelismo focado em determinado grupo de pessoas (prostitutas, drogados, moradores de rua, hospitais, etc…), mas também sou muitíssimo a favor de viver a vida de Jesus aqui e agora.

A missão da Igreja é manifestar aqui e agora a maior densidade possível do Reino de Deus que será consumado ali e além.
Robinson Cavalcanti

Nós cristãos, sabemos apenas a viver isso, depois de nossa regeneração em Cristo por seu sangue, somos novas criaturas, não sabemos fazer mais nada que não seja viver por essa Verdade, nossa vida vira por completo uma missão, nosso prazer maior está em falar de quem Jesus É, o que Ele faz, o que Ele fez em mim e em nós, o que Ele pode fazer por essa pessoa…nosso prazer é dar aquele tapa na cara de alguém causando o desconforto e alegria do despertar para a Realidade.

Não importa onde estejamos, seremos cristãos e o Reino de Deus estará presente nesse lugar. Precisamos combater o bom combate e guardar nossa fé.

Mas para realizarmos tudo isso, precisamos estar principalmente com uma vida ativa e em contínua busca por santidade, certa vez ouvi numa pregação do grande Ariovaldo Ramos sobre como manter a fé fortalecida, segundo ele, nosso corpo precisa de alimento para crescer, se manter de pé e forte, assim também é com a nossa fé; da mesma forma que precisamos de arroz, feijão e carne (mals ae vetegarianos), também precisamos de oração, leitura da Palavra, jejum e boas obras para termos uma fé mais estável e fortificada pelo Espírito Santo.

Se tiver afim e com muita paciência, eu escrevi um texto sobre missões, é uma síntese do livro Os Outros Seis Dias, escrito por R. Paul Stevens, seu cunho é mais teológico, profundo e com muito mais propriedade intelectual, mas mesmo assim é uma ótima leitura. Clique aqui para lê-lo.

Síntese do livro – Os Outros Seis Dias de R. Paul Stevens

O livro Os Outros Seis Dias de R. Paul Stevens, traz uma perspectiva com bases bíblicas e teológicas da separação criada por muitos em relação ao trabalho missionário dos cristãos visto apenas pelos pontos pastorais e ministeriais, e não como cristãos que vivem integralmente sua real vida cristã, como colaborador de Deus em Sua obra.

Teologia do Povo

Laicato e Clero

Nessa atual divisão dos quem fazem ministério e aqueles para quem ele é feito, o autor com um desafio aparentemente absurdo propõe: “O laicato deve ser abolido?”. A palavra leigo não existe no Novo Testamento, nenhum dos apóstolos descreve os cristãos como sendo de segunda classe ou despreparados, para Stevens, ela deveria ser abolida de nosso vocabulário e a palavra “clero” que significa “indicados ou dotados” não é utilizada nas Escrituras para líderes do povo, mas para todo o povo. Segundo novamente o autor: “A Igreja não “tem”, então, um ministro, ela é um ministério, o ministério de Deus. Ela não tem uma missão, ela é uma missão”.

Teologia “de” todo o povo, “para” todo o povo e “por” todo o povo

Uma teologia de todo o povo de Deus, não deve ser clerical nem anticlerical, mas aclerical, sem distinção e exceto de função, ela deve abranger não só a vida do povo de Deus reunido, mas também a Igreja dispersa no mundo, seja lá em que área da vida estiver levando em consideração a situação contemporânea.

A teologia para todo o povo deve ser uma teologia que é aplicada diariamente na vida do povo de Deus em todos tipos de tarefas do cotidiano, em casa, no trabalho, na escola. Essa é a tarefa de traduzir e vivenciar a palavra de Deus na prática diaria, ajudando as pessoas a conhecerem as verdades do Senhor e interagirem corretamente com o mundo, unindo a teoria com a prática.

A teologia por todo o povo embora feita na maioria das vezes de maneira inadequada, ela é uma das teologias mais presentes no nosso dia a dia, onde cristãos sérios a fazem a maior parte do tempo, essa é uma teologia feita “de baixo para cima” como afirma Stevens.

Reiventando o Laicato e o Clero

Um povo sem “Laicato”

Diferente do mundo no Novo Testamento, onde encontramos apenas um povo, hoje ao entrarmos em uma igreja, encontramos dois “povos”, o laicato no qual recebem o ministério e o “clero”, os que oferecem. No NT não encontramos em momento algum essa palavra, pois como Paul Stevens sugere, “laicos” é uma palavra despreciativa para descrever o povo de Deus sob a recém-reconstituída aliança.

O laos de Deus

O povo de Deus – “laos”,  termo grego que significa “a multidão” e “o povo como uma nação” – é composto por diferentes tipos de pessoas, judeus e gentios, homens e mulheres, ricos e pobres, escravos e livres, formando juntos a herança escolhida de Deus, a herança compartilhada entre todos os crentes, nunca significando uma posição individual especial.

Um povo sem “clero”

“Clero” é a palavra utilizada para indicar alguém que ocupa um cargo oficial, ou líder pastoral de uma igreja ou denominação, normalmente empregada para designar alguém que exerce funções como um profissional, no qual vive apenas do sustento por meio do evangelho ou que se envolve no serviço religioso por causa do dinheiro recebido, esse tipo de conduta não é encontrado no Novo Testamento, onde diferentemente, encontramos pessoas dispostas por amor a Deus e aos outros a levar o Evangelho da Graça para todos sem monetizar esse tipo de função.

Cumprimento do Antigo Testamento

No Antigo Testamento, todo o povo era chamado para pertencer a Deus, ser o povo de Deus e servir os propósitos de Deus (Ex 19:6), porém apenas alguns receberam um chamado especial para liderar o povo e falar a palavra de Deus, são os profetas, sacerdotes, sábios e príncipes. Eles aguardavam pelo dia em que a lei de Deus seria escrita permanente e imutavelmente no  coração de todo o povo, esse sacerdócio do AT é cumprido em Jesus, que fez o sacrifício de si mesmo de uma vez por todas.

A igreja como um povo ministrador

Com essa Nova Aliança, toda a Igreja, segundo a Escritura, é o verdadeiro ministério, servindo a Deus por meio de Jesus no poder do Espírito, sete dias por semana. Na qual todos são clero, todos são leigos, todos tem parte no poder e benção, todos ministram, todos recebem ministério, essa é a constituição da Igreja.

Um Deus – Um Povo

Dois povos ou um?

O anticlericalismo portanto, não deve ser levado ao extremo pelos cristãos, pois Paulo afirma em Ef 4:11 que é da vontade de Deus que a igreja tenha liderança e apóstolos, profetas evangelistas e pastores-professores, porém devemos ter o cuidado de não sermos levados (ou mesmo deixar outros serem levados) por deferências exageradas mostradas a alguns líderes, na qual Paulo novamente nos mostra em sua carta aos Coríntios: “Eu sou de Paulo, ou eu sou de Apolo, ou eu sou de Pedro, ou ainda eu sou de Cristo”, ele mesmo responde “Afinal de contas quem é Apolo?”.

Segundo John Stott, comunidade é a única maneira bíblica de descrever a relação entre os líderes e o resto do povo. Cada membro contribui para uma rica unidade social, como unidade de amor mediante a diversidade encontrada no Deus trino em cuja imagem a Igreja, o “laos tou theou” (o povo de Deus), é criada.

Metáforas do povo de Deus

Repleto de metáforas, o Novo Testamento utiliza o tempo todo delas para descrever a realidade de que a Igreja tem em Deus e sempre são focadas não apenas em uma vida vertical, mas também horizontal do povo de Deus, onde não existem cristãos individuais, uma nova humanidade foi criada com a cruz de Cristo, onde não existem divisões de judeus e gentios, homens e mulheres, livres e escravos.

Entrando por trás da divisão

Stevens diz que numa teologia bíblica do laicato, devemos deixar para trás o problema clérigo-leigo que contaminou a igreja desde o terceiro século e descobrir o que Deus pretendeu originalmente para o seu povo. Paulo redescobriu algo que precedia a lei e lhe dava significado, a promessa. Essa é a única forma de irmos além ao invés de simplesmente opor o clericalismo.

Um Deus – Três Pessoas

O ministério do laos é participação no ministério contínuo de Deus (Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo) e simultaneamente participação no ministério do envio de Deus. Esse ministério tem início quando nos unimos a Deus e todo ministério é de Deus e Ele continua seu ministério por meio do povo de forma criativa, restauradora, unitiva e curativa.

Segundo Paul Stevens, cada uma das três pessoas da Divindade contribui para esta rica compreensão da consciência de povo e ministério. O Pai cria, sustenta providencialmente e forma uma estrutura de aliança para toda a existência. O Filho encarna, media, transfigura e redime. O Espírito capacita e enche com a presença de Deus. Mas cada um compartilha com os outros – é coinerente interpenetra, colabora.

Favoritismo e Pericorese

É tendência entre os cristãos optarem por favorecer uma das três pessoas da Trindade, Normalmente buscam o Pai quando procuram providência, sustento e adoração, o Filho ao associar com salvação, redenção e discipulado, e o Espírito Santo ao buscarem experiências, dons e renovação.

Para uma doutrina rica e completa da Trindade, esse tipo de conduta deve ser ignorado, pois Deus não é Deus separado uma pessoa da outra e nem uma soma das mesmas, Deus é um porque é três, compartilhando cada pessoa da mesma essência da outra.

Comunhão ou União?

O sentido de laos, ou seja, o povo de Deus, não significa que nós nos fundimos com Deus ou uns com os outros, mas sim que Cristo está em nós, não nós em Cristo, e o laos interagem e derramam vida uns nos outros sem haver uma fusão. Diante do dilema clérigo-leigo, vemos que ser um povo pericorético significa ser uma comunidade sem hierarquia, ela pode possuir liderança, ela pode ser uma igreja sem laicato ou clero.

Chamado e equipado por Deus

Chamado numa era pós-vocacional

Vocação que no latim significa ser chamado ou ter um chamado, vem sido perdida no mundo moderno e pós-moderno pelo fato de que  praticamente as únicas pessoas que falam de ser “chamadas por Deus” são os missionários e pastores de tempo integral. A doutrina bíblica da vocação propõe que toda a nossa vida encontra sentido na relação com o chamado de um Deus bom. Atualmente estamos vivendo em uma época pós-vocacional, pois sem alguma teologia vocacional acabamos em alternativas enfraquecidas, como o fatalismo, sorte, carma e niilismo.

Vocação Pessoal

Lutero em sua reflexão sobre os votos monásticos, diz que é uma falsa suposição crer que existe um chamado especial para cristãos que vivem uma vida monástica, mas que o chamado de Deus vem para cada um nas tarefas comuns. O chamado do indivíduo não é o seu negócio ou ocupação, mas a posição de uma pessoa na sociedade. E sobre a ideia que servir a Deus tem a ver apenas com a adoração na igreja, Lutero rejeita isso acusando de “pior estratagema do diabo”, pois o serviço para Deus deve ser realizado não só nas igrejas como também nos lares, na cozinha, na oficina, no campo.

– Há um chamado pessoal para todos?

Há o chamado efetivo, onde todos os crentes experimentam esse chamado, que é o de tornar-se discípulo.

Há o chamado providencial, que é o chamado onde pessoas são atraídas para Deus para uma forma particular de serviço sem um chamado sobrenatural.

Há o chamado carismático, onde dons e graças providos por Deus mediante o Espírito está escrito em nosso próprio ser.

Há o chamado do coração, em que o Espírito cria em nós o desejo de um determinado serviço, seja na igreja ou no mundo.

Os cristãos evangélicos costumam viver com medo de não estar no centro da vontade de Deus, criando uma ilusão de que o ministério pessoal e o evangelismo são as únicas expressões verdadeiras do chamado.

Nossa vida na totalidade, então, deve ser levada em resposta ao chamado salvador e transformador. Discernir a orientação de Deus em nossas vidas é aprender como viver para agradá-lo em toda dimensão.

Vocação Cristã

Stevens nos dá três perspectivas para a vocação cristã, sendo elas o chamado no Antigo Testamento, o chamado no Novo Testamento e o chamado nas cartas de Paulo. No primeiro caso, do AT, Deus usa a linguagem de chamado principalmente convocando o povo para um grande propósito divino, normalmente levantando líderes para a execução desse chamado. No Novo Testamento, vemos Jesus usando “chamado” para descrever seu convite para o arrependimento, entregar-se a Ele e viver para o reino de Deus. Nas cartas de Paulo, o apóstolo nos apresenta uma visão onde Cristo nos chama para vivermos uma vida cristã em sua totalidade para sermos santos e de acordo com um propósito de salvação, discipulado e pertencer a Ele. Paulo também nos mostra que devemos andar de modo digno do chamado que recebemos e que não somos auto-escolhidos, mas é Deus que nos escolhe.

Deus nos chama para pertencermos a Ele, ou seja, fazer de nós filhos que antes estávamos abandonados, Ele nos chama para sermos seu povo santo para louvor da Sua glória em todos os aspectos de nossas vidas e para cumprir seus propósitos na igreja e no mundo.

Vocação Humana

Em discussões sobre vocação, normalmente são abordados dois mandatos bíblicos, o da Criação e a Grande Comissão.

No Mandato da Criação, somos chamados para dominar a Terra com responsabilidades cívicas e na Grande Comissão, somos chamados para darmos testemunho de Cristo até os confins da Terra. São mandatos referentes a Criação e a Salvação.

Geralmente, denominações se alinham em alguma preferência por um desses dois mandatos, o que tem sido trágico, como aponta Paul Stevens, pois a missão se torna separada da vida e fica como uma atividade realizada em apenas alguns momentos da vida, ficando a vida cristã desequilibrada e fragmentada. A Salvação é uma operação de resgate e aperfeiçoamento para a segunda vinda de Cristo e a escatologia é essencial para compreensão da vocação cristã nesse mundo.

A aliança cristã inicia-se em Genesis e termina apenas com a renovação de todas as c0isas em Apocalipse, segundo William J. Dumbrell.

Em amor, é dever da humanidade edificar a comunidade e expressar boa vontade com o próximo o tempo todo, não apenas em determinados momentos do dia. A vocação exige tudo de nós, abrangendo todas as áreas da vida.

Fazendo o trabalho do Senhor

No mundo antigo, em especial na Grécia, o trabalho era mal-visto, ficar sem trabalho era um fato apreciado pois permitia que a pessoa participasse do domínio político e aproveitasse a vida contemplativa. De forma cristianizada do ponto de vista grego, o trabalho produtivo que satisfazia as necessidades do corpo físico não tinha muito significado, em contraste a isso, a vida monástica era a forma de uma vida espiritual e superior, e a vida fora dela como mundana e inferior.

No mundo moderno e pós moderno temos a Revolução Industrial que mudou todo esse cenário, enquanto a vida pré-industrial envolvia a integração entre trabalho, lar e Igreja, ela provocou a desintegração. O trabalho do ministério dura para sempre, o serviço pastoral ou missionário em tempo integral é a vocação das vocações (monasticismo medieval), o trabalho físico e manual é menos digno do que o trabalho criativo e religioso (Renascença). Esse como vemos é o mundo do trabalho, mas para obter uma teologia do trabalho, devemos recorrer a palavra de Deus.

O trabalho nas Escrituras

Deus é um grande trabalhador, Ele logo no começo da Bíblia já o mostra trabalhando, como na criação do mundo e do homem. O trabalho é um ponto real de ligação entre Deus e o homem.

A Bíblia também nos mostra o trabalho como sendo algo que Deus dá para o homem, como aponta em Genesis em que Ele ordena Adão para cuidar do jardim.

“Sonhar com um paraíso sem trabalhar é buscar algo diferente do propósito e do plano de Deus. O trabalho é bom – bom para a Criação, bom para o nosso vizinho, bom para nós. Mas o Trabalho é limitado. A humanidade foi feita para descansar como Deus o fez. O trabalho não é tudo.” – Paul Stevens.

Com a morte de Cristo, podemos ser vencedores no lugar de trabalho e não vítimas do sistema, nós iremos lugar com o trabalho até o fim, mesmo quando nos envolvemos no chamado trabalho cristão.

Nas Escrituras, encontramos pessoas fazendo trabalhos de todos os tipos, desde os manuais até os criativos e não encontramos nenhuma depreciação ou exaltação de um ou outro. Pelo contrário, a Bíblia nos deixa algumas passagens advertindo contra a preguiça e ociosos. O homem que trabalha, necessita ter seu feito abençoado por Deus, ou tudo isso é inútil e vazio.

Jesus mesmo em sua vida foi um trabalhador, a Bíblia diz que Ele foi um carpinteiro (ou pedreiro). Segundo Alan Richardson, “A jaqueta do trabalhador era uma roupa adequada para Deus que a revelação bíblica tinha sempre apresentado como um trabalhador”.

Quando várias pessoas perguntaram a João Batista o que deviam fazer para produzir “frutos que mostrem o arrependimento”, ele disse ao povo que aqueles que tivessem duas túnicas deveriam reparti-las com aqueles que não tinham nenhuma; os cobradores de impostos não deviam cobrar mais do que o devido e cabia aos soldados contentar-se com o seu salário. (Lc 3:8-14).

O trabalho de Deus

Deus, o líder, faz trabalho de edificação comunitária e faz com que as coisas sejam consumadas. Toda ocupação humana legítima (remunerada ou não) é uma dimensão da obra de Deus. Os crentes são atraídos para a obra de Deus em sua plenitude.

É através de Deus que somos motivados pela Sua boa vontade de exercer uma ordem, vocação ou chamado e capacita Sua criatura a fazer esse trabalho.

O trabalho de todo cristão é de levar o evangelho para todos e servir aos propósitos do reino de Deus no mundo. O privilégio de ser sustentado, que é um direito dos apóstolos e dos presbíteros que pregam, ensinam, é um dom gracioso da Igreja e deve ser oferecido por iniciativa da Igreja. Os cristãos trabalham então em ambos os sentidos, trabalho do Pai na mordomia criativa e trabalho do Filho na divulgação do evangelho. Não existem no NT referências a religiosos profissionais, em contrapartida, esse trabalho é feito de forma voluntária por amor.

Segundo Volt, todo trabalho humano é colaboração com Deus que age em nós por intermédio do Espírito de Cristo. Os dons do Espírito incluem mais do que as atividades eclesiais, Paulo em suas cartas, nos exorta para andarmos no Espírito e vivermos no Espírito, claramente isso é para nossa vida diária e não apenas para uma espiritualidade.

O trabalho de Deus é feito em todas as áreas de nossa vida e todo trabalho humano é um dever e uma atividade divina, onde em comunhão com Ele somos colaboradores.

O trabalho é bom

Todo trabalho guiado por Deus é divinamente bom, Ele mesmo achou bom o trabalho de ter criado o mundo e sua criação. O trabalho é intrinsecamente bom para nós, bom para o mundo e bom para Deus.

O trabalho permite o nosso sustento pessoal e de outras pessoas, nos ajuda a compartilhar o que temos em excesso, pagar impostos e sermos despenseiros, O trabalho do evangelho restaura os indivíduos a Deus e produz paz, significado, perdão e esperança.

O trabalho – como aponta Bonhoeffer – também é bom pois liberta o ser humano de seu egocentrismo, o mundo é apenas um instrumento na mão de  Deus para purificação de interesse egoísta. O trabalho no mundo só pode ser feito quando a pessoa se esquece de si mesma, quando se perde numa causa, numa realidade.

Stevens diz: “O trabalho é bom para nós, para o mundo, bom para os outros e até bom para Deus. Se Deus fala que o trabalho “é bom”, por que não fazermos o mesmo?”.

Ministério – Transcendendo o clericalismo

Quando falamos do chamado de alguém para o ministério, instantaneamente isso é associado a pregação e no ministério sacramental. Apenas uma pequena minoria das pessoas é sustentada pela igreja para exercer seu ministério em tempo integral e a grande maioria fica em um estado como se não fizesse parte do ministério de Deus na igreja e no mundo.

A boa notícia é que a Bíblia nos dá uma perspectiva libertadora sobre isso, o ministério é definido por quem é servido em vez da aparência e situação das obras feitas. Ministério é serviço a Deus e a favor de Deus na igreja e no mundo. Ministro são pessoas que se colocam à disposição de Deus em benefício de outros e do mundo de Deus, não ficando limitado pelo lugar onde o serviço é prestado, pela função ou pelo título. A essência do ministério/serviço é colocar-se a disposição de Deus, servindo-o com toda a nossa vida.

Contrariando os padrões de liderança, Jesus exerceu todo seu ministério como servo, Ele disse que todo aquele que quiser ser grande deve antes servir. Quando o povo não cumpriu o desígnio de Deus de ter um servo na Terra, Deus tornou-se seu próprio servo.

A igreja é ministério

O ponto decisivo de ser discípulo de Jesus é a diakonia, oferecer a própria vida no emprego a serviço do Senhor até a morte. O ministério é uma atividade que faz parte da essência do povo de Deus. A Igreja não tem um ministério, ela é ministério.

Paulo descreve sua função indicando que o servo cristão é em primeiro e último lugar um serviço de Deus e não das pessoas, e um servo das pessoas por ser servo de Deus.

Todos são servos, todos podem ministrar. A razão para esta recusa em fazer distinção de classe para certos servos oficiais é profundamente lógica e crucial para o desenvolvimento de uma teologia de ministério para todo o povo de Deus.

Serviço trinitariano

O ministério não é apenas uma atividade humana em que nos envolvemos por dever ou admiração pelo exemplo de Jesus, trata-se de algo que nos leva ao coração de Deus. O ministério é exercido por intermédio de Cristo, no Espírito, onde o povo desempenha o serviço de Deus na terra. O ministro da Igreja é Jesus no Pai, através do Espírito Santo e o ministro do mundo é Deus mediante o povo de Deus como um todo.

Ministério é Deus continuando seu serviço de amor em e por meio do seu povo, onde por estarmos em Cristo através do Espírito, devemos participar do mundo que Deus tanto ama.

Uma teologia trinitariana de ministério propõe que serviço seja a expressão da vida de amor do Deus trino mediante todo o povo de Deus, na presença do Espírito que capacita.

Líderes ministradores

A doutrina da Trindade é essencial para nossa visão do ministério, especialmente sobre o líder ministrador. Funções e serviços irão aparecer, mas não sem a participação no serviço de Deus e sem uma realidade em comunhão com o Espírito Santo.

O Novo Testamento nos mostra líderes que serviam não apenas em um único local fixo, mas também se deslocavam para outros lugares para pregar o Evangelho. O povo não tinha interesse na autoridade desses líderes, mas sim em seus serviços prestados. Os líderes são necessários para preparar os santos e edificar o corpo, eles são essenciais para organizar corretamente a comunidade e ensinar para o povo a autoridade de Jesus.

O chamado para o cargo pastoral que alguns recebem de Deus, não pode ser entendido como única via de chamado ministerial para os crentes como único modo do povo exercer seus dons na Igreja. Os chamados ministeriais, segundo Calvino, possui testemunho do nosso coração de que recebemos o cargo recebido sem ambição, avareza.ou desejos egoístas, mas sim com temor a Deus e desejo de edificar a Igreja, só assim teremos um ministério aprovado por Deus.

Lutero diz que um cristão em um ambiente de não-cristãos, não deve esperar nenhum tipo de chamado para pregar para o povo, pois ele tem como dever ensinar em amor fraternal, porém se estiver em um lugar com cristãos, ele deve esperar um chamado ou ser escolhido por outros para ensinar e pregar nesse local.

Além dos chamados efetivos, providenciais, carismáticos e do coração, quando falamos de vocação pessoal, deveria haver, no caso dos líderes da igreja, um chamado eclesiástico, onde a adequação da pessoa deve ser discernida nos dons e no caráter. As principais bases bíblicas em que a pessoa pode assumir a liderança pastoral estão no caráter, boa reputação, comportamento ético prático e dons de liderança dados por Deus.

Temos então uma visão sacerdotal do ministério de um lado e a visão puramente funcional de outro, para resolver essa questão devemos recorrer a visão teológica do ministério da Igreja como um ofício carismático, o serviço de liderar a comunidade, e portanto, uma função eclesial da comunidade e aceita pela comunidade.

Sabendo-se então dessa visão, resolvemos que ministério é nos colocarmos à disposição de Deus para Seu próprio propósito na Igreja e no mundo, onde todo o povo de Deus como comunidade é o verdadeiro ministério de Deus.

Para a vida do mundo

Profetas, sacerdotes e reis

A Igreja é muito mais do que apenas encher seus bancos com novos membros, ela existe pois foi criada por Deus para ser agente principal de seu Reino na Terra. Os cargos triplos da Aliança do Antigo Testamento nos ajuda a compreender o ministério de todo o laos em Cristo. Essa é uma identidade missionária de todo o povo de Deus, profetas falando a palavra de Deus, cuidando das necessidades públicas e sociais, sacerdotes mediando a presença de Deus e ministrando as necessidades sociais e espirituais,  e reis estendendo o governo de Deus para toda a criação de Deus e necessidades organizacionais e políticas. Tudo isso preparando Israel para ser a nação santa realizando os propósitos de Deus.

Com a vinda de Cristo, todos esses três papéis de profetas, sacerdotes e reis, são cumpridos nele e o povo de Deus encontra um meio de expressão, tornando-se profetas no sentido de expressão direta da presença capacitadora de Deus no povo de Deus e sacerdócio de todos os crentes.

A Igreja ensinada por Deus por meio da Escritura e do Espírito é uma Igreja que ensina e prega, todos os crentes conhecem a Deus, são ungidos para revelação e capazes de interpretar a Escritura por meio do Espírito.

A primeira preocupação de pastores/líderes é de preparar a Igreja para pregar, pois como parte da edificação dos crentes para que não sejam mais meninos, a Igreja é a porta-voz do Reino de Deus na Terra, todos tem esse chamado, a pessoa não precisa de um dom específico para ser testemunha.

A Igreja é uma comunidade profética, mas para isso cada cristão necessita ser enchido continuamente do Espírito Santo, fugir do pecado e ser humilde. Segundo E.H. Oliver, a Igreja tem uma função profética agindo como uma consciência para a sociedade, educando e inspirando, iniciando novos ministérios, estudando para prevenir, em vez de curar, transformando os ajudados em ajudantes.

Todo cristão é um sacerdote, não havendo assim diferença entre este e um simples cristão, qualquer crente que anuncia o Evangelho é um sacerdote. Nós somos procedentes do permanente sacerdócio de Jesus, temos acesso direto a Deus por meio dele, não precisamos de mediadores sacerdotes humanos para isso, Jesus é suficiente.

Não existe um crente solitário, antes ele deve estar vivendo em comunhão com uma comunidade, a comunidade de Deus no mundo, cada um desses indivíduos é um sacerdote, sendo abençoados por Deus e abençoadores no mundo com a presença de Deus. Apenas com todos os santos que podemos conhecer plenamente a Cristo ou torná-lo plenamente conhecido.

Missão – Um povo enviado por Deus

O termo missão foi usado até o século XVI de um modo diferente como compreendemos hoje em dia, “missão” tinha um significado trinitário, onde o Pai envia Jesus, e envia o Espírito Santo pelo Pai e pelo Filho. Após um tempo, “missão” veio a ser usado, pelo menos até os anos 50, como o envio de pessoas através de fronteiras para propagar a fé, converter os pagãos, plantar igrejas e fazer obras de melhoria social.

Missão é o que Deus está fazendo no mundo por meio da vida da igreja, e mesmo sem a igreja, a fim de levar sua criação a consumação: a unidade e plenitude de Jesus Cristo.

Missio Dei (missão de Deus) deve ser compreendida não só como Deus quem envia, mas simultaneamente Aquele que é enviado, cada pessoa da divindade, Deus trabalha em sua totalidade. Como revelação, Jesus declara quem Deus é, como Ele opera, quais os seus propósitos, como Ele quer atrair a humanidade para ter comunhão com Ele e qual a sua vontade salvadora para o mundo. Jesus não só declara o reino de Deus, como também personifica esse reino. Pela sua crucificação, ressurreição e exaltação, Jesus é Senhor sobre todos os poderes e cabeça da igreja.

A missão é contínua pois o Pai trabalha em conjunto do Filho mediante o dom do Espírito Santo em todo seu laos, sem essa combinação e trabalho, não haveria igreja, congregação e muito menos missão.

A Igreja não é a agência que envia, mas sim a agência enviada, Deus dá um chamado e capacita os que são enviados, Ele usa seus enviados como ferramenta de trabalho para Sua missão como fonte de amor, como forma de abençoar todas as nações por meio da ressurreição de Cristo e do derramamento do Espírito.

O Antigo Testamento nos dá diversas passagens e promessas missionárias, desde o Pentateuco, passando por Isaías, Salmos, Daniel e diversos outros profetas.

Na Nova Aliança, Jesus vem como missionário, o enviado por Deus que também é Deus. A visão missionária de Paulo focava em ver a igreja como a comunidade escatológica do Espírito capacitando judeus e gentios para compartilhar a nova humanidade de Deus.

Para o missionário, não existe lugar que ele não possa ir e falar sobre Deus, todo lugar é passível de evangelismo e justiça social, não importando a ordem delas, o próprio Espírito aponta qual deve vim primeiro relativo ao contexto do ambiente. As boas obras são parte integrantes da presenta manifestação do reino, temos entendimento de que não são elas que irão salvar ou convencer os crentes com respeito à verdade do evangelho.

Missão é, portanto, segundo Stevens, juntar-se a Deus em sua atividade de cuidado, sustentação e transformação na terra. Missão é boas novas para o mundo. É boa nova porque leva o povo a relacionar-se com Jesus.

A missão da igreja não é introduzir a igreja, ou sequer ampliá-la. A missão da igreja é introduzir o Reino.

Preparação para a missão

Quem nos prepara para a missão é Deus, nos dando visão e dons, capacitando mediante a presença do Espírito, motivando e guiando. A igreja deve ter assim como Paulo, uma visão celestial. A missão é adoração porque é o trabalho externo de Deus, vivendo fora de si mesmo, amando fora de si mesmo. Paulo não se gloria em si mesmo ou mesmo de seus serviços; ele se gloria em Jesus Cristo.

Atualmente as igrejas estão focadas no “venha”, onde se chama crentes para comungar com elas, porém é necessário um interesse no “vá”, para que os crentes possam alcançar uma parte específica da sociedade.

Resistência – Enfrentando os poderes

Os cristãos comuns enfrentam diariamente o tempo todo problemas e ataques de tudo quanto é tipo de poderes, são principados e potestades disfarçados de conformidade, estrutura de poder, legalismo, institucionalização e ataque satânico direto.

Em contrapartida a algumas pessoas que pensam que os escritores do Novo Testamento não sabiam o que falava e que estamos agora em posição de explicar a dificuldade que encontramos no mundo, agora outras pessoas reconhecem que os escritores do NT sabiam a que estavam se referindo, conheciam perfeitamente as complexidades do mal, mas agora não tem como explicar essa visão para os homens de hoje senão sendo reinterpretando os principados e potestades em termos sociológicos e psicológicos.

Antes, precisamos entender que a Bíblia diz relativamente pouco sobre a fonte suprema do mal, ela se concentra em descrever a complexidade da nossa vida neste mundo, e mais importante que tudo, a supremacia de Deus sobre todos os poderes que se opõem à plena introdução do seu reino.

É normal os cristãos ignorarem a ação de seres espirituais malignos no mundo, estruturas e na vida das pessoas, procurando apenas explicações em padrões culturais e sociais humano, enquanto que não podemos de forma alguma ignorar esse tipo de ação por ser bíblico.

Missão e Ministério

Para lidarmos com o mal, precisamos tratar o mundo não nos conformando com ele, mas sim nos conformarmos com a vontade de Deus, mortificando nossa carne e aspirando do Espírito. É o Senhor que transforma nosso interior a fim de podermos transformar o mundo em vez de nos conformarmos com ele.

A principal estratégia contra falsas reivindicações dos poderes é pregar o evangelho, fazer com que os poderes se ajoelhem é tarefa de Cristo, a nossa é de nos armar com Cristo e pregar sua cruz.

Os poderes são fachadas para o grande plano de Satanás de afastar as pessoas de Deus. A ideia de sofrer falta de poder tem como modelo a cruz. Os sistemas e poderes foram colonizados por Satanás e só podem ser derrubados pelo próprio Deus.

O cristão tem diversas ferramentas e meios para fazer justiça social, sendo esse, o meio de não nos conformarmos com o mundo e lutarmos como Cristo nos convidou a fazer: mudar as estruturas da sociedade que cria e multiplica todos os dias essas condições. A justiça social e o discipulado público devem ser mais do que boas obras, devem ser fundamentados teologicamente e orientados para o Reino de Deus.

É necessário para o crente viver em constante oração, intercedendo por outros irmãos. Com a oração passamos a ter a mente de Deus em relação à pessoa ou a situação que estamos levando a Ele. Nós como humanos não conseguimos com nossas mentes seculares entrar em contato com outras pessoas de maneira mais profunda, porém ao orarmos, Jesus nosso mediador, coloca sua mão em cada um e aproxima os dois.

Hoje em dia não é tão comum encontrarmos tantos mártires assim como no século vinte, pessoas que abandonavam tudo o que ama pela causa de Deus, jejuavam e trabalhavam pesado para se livrar de seus desejos e suportavam uma cruz, esses são os que a Bíblia nos mostra em seu último livro como “cristão-modelo”.

Somos convidados a deixar belas marcas na criação, ambiente, família, cidade, emprego e nação. Temos fé de que um dia Jesus irá transformar todas as marcas ambientais, sociais, culturais e políticas que deixamos com o nosso trabalho.

Vivendo teologicamente

Paul Stevens, diz que esse título, vivendo teologicamente é contraditório. Considerando em tudo isso que aqui está escrito, como a igreja é um povo sem laicato ou clero, chamado e preparado por Deus para a vida do mundo, fica óbvio a proposta de uma teologia diferente daquela geralmente aceita.

O perigo da teologia não-aplicada

A ortodoxia envolve mais do que simplesmente falar o que é certo sobre Deus, como por exemplo os amigos de Jó, que falavam sobre Deus, Jó falou com Deus e ao fazer isso, ele falou bem de Deus, sua teologia era ortodoxa. O perigo da simples ortodoxia intelectual é que somos tentados a pensar que podemos manejar Deus. Os que adoram o Senhor se tornam livres e espontâneos, Deus jamais pode ser contido pela mente humana.

A teologia começa com admiração e não com problemas, a ortodoxia trata então da vida de adoração.

Vida verdadeira para a glória de Deus

O alvo da educação teológica bíblica é aumentar nosso amor por Deus e tornar-nos mais humanos. A doutrina que não leva a doxologia é demoníaca, como Paulo disse em sua carta aos Efésios o propósito da congregação e educação apoiada na vida é que os santos irão viver para louvor da glória de Deus. A teologia ortodoxa precisa de uma aplicação em nossas vidas, ela nos leva a adoração de Deus e possibilita a viver uma existência humana genuína.

Ortopraxia

A Bíblia nos dá dois parâmetros referente a obras e salvação, ela nos diz que pela graça que somos salvos, porém também que a fé sem obras é morta. Ela nos mostra uma vida vivida em sua totalidade devocionada ao Reino, sem qualquer distinção entre a vida dentro e fora da igreja. Quebrando paradigmas de laicato e clero, o povo de Deus é chamado para servir, não por obrigação, obediência ou esperando algum tipo de aprovação, mas para glorificar o Senhor.

Uma pregação pode muito bem não ser do agrado de Deus, enquanto uma dona de casa lavando louça pode estar adorando a Deus. A grande diferença está em fazer algo pela fé ou não, a verdadeira ação cristã é espontânea, a ortopraxia é a ação em harmonia com a vontade de Deus, conhecendo cada vez mais a Ele.

Ortopatia

O cultivo do coração — um meio mais completo de saber — é justamente o que a nossa cultura pós-moderna aprova. Contudo, a reação bíblica ao desafio pós-moderno não é abandonar a razão, mas permitir que Deus evangelize nossos corações e nossas mentes, no sentido de desejarmos o que Deus deseja. Como conhecimento prático da unificação do coração e da mente por Deus, a teologia tem o caráter de sabedoria.

Jó foi um exemplo de ortopatia, mesmo em meio a tantos testes, provações e cansaço, ao invés de pedir saúde, ele desejou mais de Deus.

Cuidar dos interesses de Deus na vida diária e cuidar de Deus acima de tudo, isso é ortopatia.

Ortodoxia, ortopraxia, ortopatia. As três palavras apontam para a fusão entre a teologia e a vida diária: teologia e vida ligadas em louvor (ortodoxia), prática (ortopraxia) e paixão (ortopatia). O que Deus unius, que nenhuma instituição teológica possa separar.

Devemos buscar uma teologia não apenas acadêmica, mas sim uma teologia que nos aproxime de Deus, que nos leve a amar ainda mais nosso próximo, vivendo de maneira integral o reino de Deus aqui no mundo mesmo, na esperança do Novo Céu e Nova Terra.

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Síntese escrita a partir do livro Os Outros Seis Dias, escrito por R. Paul Stevens

A ressurreição de Cristo

O texto abaixo é uma síntese sobre a ressurreição de Jesus Cristo feita a partir do livro de Teologia Sistemática de Alister McGrath. O conteúdo não é referente a minha opinião pessoal a respeito desse assunto.

A ressurreição de Jesus Cristo

A ressurreição de Cristo é motivo de questões teológicas, onde se diz que Cristo tenha ressucitado dos mortos, sendo como componentes centrais da crítica Iluminista em relação ao cristianismo tradicional.

O Iluminismo: A ressurreição como algo que não aconteceu

No Iluminismo, onde a razão e a experiência vivida atualmente, semelhante a acontecimentos do passado é que devem ser levados em conta para explicar a ressurreição de Cristo. Em vista que hoje em dia não vemos acontecimentos de ressurreição, não há como crer nisso com reflexões racionais, pois necessita apenas da fé e aceitar a autoridade de outros.

Para Lessing, ser forçado a aceitar o testemunho alheio equivaleria a comprometer a autonomia intelectual do ser humano. Portanto a ressurreição não aconteceu.

A ressurreição como mito – David Friedrich Strauss

Strauss em sua abordagem sobre a ressurreição parte do pressuposto do Iluminismo de que milagres são impossíveis, ele apresenta suas ideias sobre esta perspectiva na intenção de explicar a origem da fé na ressurreição de Cristo de forma absolutamente independente de algum milagre.

A crença na ressurreição é algo subjetivamente concebido pela mente, a fé nela decorre da “recordação exarcebida da personalidade do próprio Jesus”, por meio da qual houve uma projeção da memória, levando a ideia de uma presença viva. De acordo com Strauss, Cristo é um ressurreto mítico.

Segundo Strauss, os evangelistas deveriam ser encarados como pessoas que compartilhavam da visão mítica que dominava o contexto cultural em que estavam inseridos, essa linguagem mítica era parte natural de expressão daquelas pessoas que tinham uma visão de mundo fundamentada em mitos.

A ressurreição como evento na experiência dos discípulos – Rudolf Bultmann

Bultmann assim como Strauss, também acreditava que milagres eram algo impossíveis de se acreditar, logo a ressurreição de Cristo como um fato objetivo não era possível.

A ressurreição não pode ser levada a sério nos dias atuais, onde por termos a ciência e a razão como base de nossas vidas, acreditar num mundo de milagres e espíritos é algo descartado e initeligível. A ressurreição deveria ser considerada como um mito que passou na experiência subjetiva dos discípulos e não como um fato ocorrido na história. Para ele, a ressurreição havia de fato acontecido, porém no sentido de proclamar as Boas Novas.

A ressurreição como fato histórico além da investigação crítica – Karl Barth

Segundo Karl Barth, a ressurreição de Cristo não deve ser interpretada apenas como um evento histórico e analisada de forma crítica quanto ao seu acontecimento, como crê Bulltmann. Para Barth, a ressurreição deve ser encarada a luz da fé, pois não existem meios de pesquisa que comprovem se realmente ocorreu ou não.

Barth destaca que Paulo e os demais apóstolos não exigem a “aceitação de um relato histórico inteiramente comprovado”, mas sim a “decisão de fé”.

A ressurreição como fato histórico aberto à investigação crítica – Wolfhart Pannenberg

Pannenberg utiliza de fundamentos da história universal para obter respostas da teologia. Para ele, a revelação é essencialmente um fato histórico público e universal, reconhecido e interpretado como um “ato de Deus”, o que gerou críticas pois isso parece reduzir a fé ao discernimento, negando qualquer participação do Espírito Santo no evento da revelação.

A história, segundo Pannenberg somente pode ser compreendida quando vista a partir de seu ponto final, pois a partir desse ponto o processo histórico pode ser visto por inteiro, toda a chave de interpretação histórica está em Jesus Cristo, que nos revela o fim da história antecipadamente.

Ao contrário de Bulltmann, Pannenberg defendia a ressurreição de de Cristo como fato histórico objetivo, testemunhado por todos que tiveram acesso à evidência,  sendo um fato da história universal.

A proposição de que “Jesus não ressuscitou dos mortos” será um pressuposto dessa investigação e não a conclusão. As evidências históricas que apontavam para a ressurreição de Jesus deveriam ser investigadas de forma insenta, sem se deixar contaminar pelo pressuposto dogmático apriorístico de que era impossível que a ressurreição tivesse ocorrido.

Para ele, a ressurreição de Jesus antecipa a ressurreição universal que ocorrerá no fim dos tempos, a ressurreição de Jesus está ligada à auto-revelação de Deus em Cristo, ela define a identidade de Jesus em Deus e permite que essa identidade seja projetada no ministério que Jesus desenvolveu antes da ressurreição.

A ressurreição e a esperança cristã

Um dos papéis principais da ressurreição diz respeito à afirmação da divindade de Cristo. A ressurreição define e sustenta a esperança cristã, em relação a soteriologia e escatologia, dando interpretações de como a cruz representa a vitória de Deus sobre a morte e esperança cristã da vida eterna.

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Síntese escrita a partir do texto “A ressurreição de Cristo” do livro Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica de Alister E. McGrath.