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A missão de todo cristão

“Todo cristão ou é um missionário ou é um impostor.”
Charles Haddon Spurgeon

Essa frase de Spurgeon resume e muito que todo cristão deve ser um missionário. Não existe vida cristã que não se resuma a uma missão, Jesus nos deu uma Grande Comissão (Mt 28:19), o muito falado e pouco praticado “Ide”.

Vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Mateus 28:19 – NVI

Fazendo uma rápida consulta no dicionário (Michaelis) pela palavra missão, temos o seguinte:

missão
sf (lat missione) 1 Ato de mandar. 2 Comissão, encargo, incumbência. 3 Comissão diplomática. 4 Delegação divina conferida num intuito religioso. 5 Sermão doutrinal. 6 Os missionários. 7 A pregação dos missionários. 8 Estabelecimento de missionários. 9 Compromisso, dever imposto ou contraído, obrigação. 10 Certo número de pessoas enviadas em missão. 11 fig Razão de ser, fim.

E Comissão em sua origem em Latim: committere, “unir, juntar, combinar”, formado por com-, “junto”, mais mittere, “enviar, lançar”.

Chega de enrolação…

Muito se fala na cena cristã sobre enviar missionários pra lá e pra cá, criar estratégias de evangelismo, atrair ovelhas para a igreja, etc. Primeiramente quero deixar bem claro que eu não sou contra a nada disso, muito pelo contrário, acho super válido qualquer atitude (que não transgrida nenhuma Lei) para se levar o Evangelho de Cristo a todas pessoas.

Quase que de vez em sempre os cristão (inclusive eu) fazem uma separação entre a vida na igreja e a vida fora dela, onde dentro do templo e junto de outros de seu mesmo clubinho particular tem uma postura, mas quando estão fora desse ambiente, no dia a dia no trabalho, escola, mercado, andando na rua, nem sequer lembram que a vida não se resume a correr atrás de seus próprios interesses.

Jesus nos deu essa Grande Comissão não apenas para certos momentos da vida praticarmos, mas para vive-la constantemente, 24 horas por dia, onde quer que estejamos e o melhor de tudo que é que Ele nos dá seu Espírito Santo para nos capacitar a fazer todas as tarefas e falar aquilo que Ele mesmo quer que nós falemos.

Sou muito a favor de missões transculturais, onde se é levado as Boas Novas de Cristo para pessoas que não tem acesso a elas por algum motivo, sou a favor de evangelismo focado em determinado grupo de pessoas (prostitutas, drogados, moradores de rua, hospitais, etc…), mas também sou muitíssimo a favor de viver a vida de Jesus aqui e agora.

A missão da Igreja é manifestar aqui e agora a maior densidade possível do Reino de Deus que será consumado ali e além.
Robinson Cavalcanti

Nós cristãos, sabemos apenas a viver isso, depois de nossa regeneração em Cristo por seu sangue, somos novas criaturas, não sabemos fazer mais nada que não seja viver por essa Verdade, nossa vida vira por completo uma missão, nosso prazer maior está em falar de quem Jesus É, o que Ele faz, o que Ele fez em mim e em nós, o que Ele pode fazer por essa pessoa…nosso prazer é dar aquele tapa na cara de alguém causando o desconforto e alegria do despertar para a Realidade.

Não importa onde estejamos, seremos cristãos e o Reino de Deus estará presente nesse lugar. Precisamos combater o bom combate e guardar nossa fé.

Mas para realizarmos tudo isso, precisamos estar principalmente com uma vida ativa e em contínua busca por santidade, certa vez ouvi numa pregação do grande Ariovaldo Ramos sobre como manter a fé fortalecida, segundo ele, nosso corpo precisa de alimento para crescer, se manter de pé e forte, assim também é com a nossa fé; da mesma forma que precisamos de arroz, feijão e carne (mals ae vetegarianos), também precisamos de oração, leitura da Palavra, jejum e boas obras para termos uma fé mais estável e fortificada pelo Espírito Santo.

Se tiver afim e com muita paciência, eu escrevi um texto sobre missões, é uma síntese do livro Os Outros Seis Dias, escrito por R. Paul Stevens, seu cunho é mais teológico, profundo e com muito mais propriedade intelectual, mas mesmo assim é uma ótima leitura. Clique aqui para lê-lo.

A ressurreição de Cristo

O texto abaixo é uma síntese sobre a ressurreição de Jesus Cristo feita a partir do livro de Teologia Sistemática de Alister McGrath. O conteúdo não é referente a minha opinião pessoal a respeito desse assunto.

A ressurreição de Jesus Cristo

A ressurreição de Cristo é motivo de questões teológicas, onde se diz que Cristo tenha ressucitado dos mortos, sendo como componentes centrais da crítica Iluminista em relação ao cristianismo tradicional.

O Iluminismo: A ressurreição como algo que não aconteceu

No Iluminismo, onde a razão e a experiência vivida atualmente, semelhante a acontecimentos do passado é que devem ser levados em conta para explicar a ressurreição de Cristo. Em vista que hoje em dia não vemos acontecimentos de ressurreição, não há como crer nisso com reflexões racionais, pois necessita apenas da fé e aceitar a autoridade de outros.

Para Lessing, ser forçado a aceitar o testemunho alheio equivaleria a comprometer a autonomia intelectual do ser humano. Portanto a ressurreição não aconteceu.

A ressurreição como mito – David Friedrich Strauss

Strauss em sua abordagem sobre a ressurreição parte do pressuposto do Iluminismo de que milagres são impossíveis, ele apresenta suas ideias sobre esta perspectiva na intenção de explicar a origem da fé na ressurreição de Cristo de forma absolutamente independente de algum milagre.

A crença na ressurreição é algo subjetivamente concebido pela mente, a fé nela decorre da “recordação exarcebida da personalidade do próprio Jesus”, por meio da qual houve uma projeção da memória, levando a ideia de uma presença viva. De acordo com Strauss, Cristo é um ressurreto mítico.

Segundo Strauss, os evangelistas deveriam ser encarados como pessoas que compartilhavam da visão mítica que dominava o contexto cultural em que estavam inseridos, essa linguagem mítica era parte natural de expressão daquelas pessoas que tinham uma visão de mundo fundamentada em mitos.

A ressurreição como evento na experiência dos discípulos – Rudolf Bultmann

Bultmann assim como Strauss, também acreditava que milagres eram algo impossíveis de se acreditar, logo a ressurreição de Cristo como um fato objetivo não era possível.

A ressurreição não pode ser levada a sério nos dias atuais, onde por termos a ciência e a razão como base de nossas vidas, acreditar num mundo de milagres e espíritos é algo descartado e initeligível. A ressurreição deveria ser considerada como um mito que passou na experiência subjetiva dos discípulos e não como um fato ocorrido na história. Para ele, a ressurreição havia de fato acontecido, porém no sentido de proclamar as Boas Novas.

A ressurreição como fato histórico além da investigação crítica – Karl Barth

Segundo Karl Barth, a ressurreição de Cristo não deve ser interpretada apenas como um evento histórico e analisada de forma crítica quanto ao seu acontecimento, como crê Bulltmann. Para Barth, a ressurreição deve ser encarada a luz da fé, pois não existem meios de pesquisa que comprovem se realmente ocorreu ou não.

Barth destaca que Paulo e os demais apóstolos não exigem a “aceitação de um relato histórico inteiramente comprovado”, mas sim a “decisão de fé”.

A ressurreição como fato histórico aberto à investigação crítica – Wolfhart Pannenberg

Pannenberg utiliza de fundamentos da história universal para obter respostas da teologia. Para ele, a revelação é essencialmente um fato histórico público e universal, reconhecido e interpretado como um “ato de Deus”, o que gerou críticas pois isso parece reduzir a fé ao discernimento, negando qualquer participação do Espírito Santo no evento da revelação.

A história, segundo Pannenberg somente pode ser compreendida quando vista a partir de seu ponto final, pois a partir desse ponto o processo histórico pode ser visto por inteiro, toda a chave de interpretação histórica está em Jesus Cristo, que nos revela o fim da história antecipadamente.

Ao contrário de Bulltmann, Pannenberg defendia a ressurreição de de Cristo como fato histórico objetivo, testemunhado por todos que tiveram acesso à evidência,  sendo um fato da história universal.

A proposição de que “Jesus não ressuscitou dos mortos” será um pressuposto dessa investigação e não a conclusão. As evidências históricas que apontavam para a ressurreição de Jesus deveriam ser investigadas de forma insenta, sem se deixar contaminar pelo pressuposto dogmático apriorístico de que era impossível que a ressurreição tivesse ocorrido.

Para ele, a ressurreição de Jesus antecipa a ressurreição universal que ocorrerá no fim dos tempos, a ressurreição de Jesus está ligada à auto-revelação de Deus em Cristo, ela define a identidade de Jesus em Deus e permite que essa identidade seja projetada no ministério que Jesus desenvolveu antes da ressurreição.

A ressurreição e a esperança cristã

Um dos papéis principais da ressurreição diz respeito à afirmação da divindade de Cristo. A ressurreição define e sustenta a esperança cristã, em relação a soteriologia e escatologia, dando interpretações de como a cruz representa a vitória de Deus sobre a morte e esperança cristã da vida eterna.

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Síntese escrita a partir do texto “A ressurreição de Cristo” do livro Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica de Alister E. McGrath.