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Síntese do livro – Os Outros Seis Dias de R. Paul Stevens

O livro Os Outros Seis Dias de R. Paul Stevens, traz uma perspectiva com bases bíblicas e teológicas da separação criada por muitos em relação ao trabalho missionário dos cristãos visto apenas pelos pontos pastorais e ministeriais, e não como cristãos que vivem integralmente sua real vida cristã, como colaborador de Deus em Sua obra.

Teologia do Povo

Laicato e Clero

Nessa atual divisão dos quem fazem ministério e aqueles para quem ele é feito, o autor com um desafio aparentemente absurdo propõe: “O laicato deve ser abolido?”. A palavra leigo não existe no Novo Testamento, nenhum dos apóstolos descreve os cristãos como sendo de segunda classe ou despreparados, para Stevens, ela deveria ser abolida de nosso vocabulário e a palavra “clero” que significa “indicados ou dotados” não é utilizada nas Escrituras para líderes do povo, mas para todo o povo. Segundo novamente o autor: “A Igreja não “tem”, então, um ministro, ela é um ministério, o ministério de Deus. Ela não tem uma missão, ela é uma missão”.

Teologia “de” todo o povo, “para” todo o povo e “por” todo o povo

Uma teologia de todo o povo de Deus, não deve ser clerical nem anticlerical, mas aclerical, sem distinção e exceto de função, ela deve abranger não só a vida do povo de Deus reunido, mas também a Igreja dispersa no mundo, seja lá em que área da vida estiver levando em consideração a situação contemporânea.

A teologia para todo o povo deve ser uma teologia que é aplicada diariamente na vida do povo de Deus em todos tipos de tarefas do cotidiano, em casa, no trabalho, na escola. Essa é a tarefa de traduzir e vivenciar a palavra de Deus na prática diaria, ajudando as pessoas a conhecerem as verdades do Senhor e interagirem corretamente com o mundo, unindo a teoria com a prática.

A teologia por todo o povo embora feita na maioria das vezes de maneira inadequada, ela é uma das teologias mais presentes no nosso dia a dia, onde cristãos sérios a fazem a maior parte do tempo, essa é uma teologia feita “de baixo para cima” como afirma Stevens.

Reiventando o Laicato e o Clero

Um povo sem “Laicato”

Diferente do mundo no Novo Testamento, onde encontramos apenas um povo, hoje ao entrarmos em uma igreja, encontramos dois “povos”, o laicato no qual recebem o ministério e o “clero”, os que oferecem. No NT não encontramos em momento algum essa palavra, pois como Paul Stevens sugere, “laicos” é uma palavra despreciativa para descrever o povo de Deus sob a recém-reconstituída aliança.

O laos de Deus

O povo de Deus – “laos”,  termo grego que significa “a multidão” e “o povo como uma nação” – é composto por diferentes tipos de pessoas, judeus e gentios, homens e mulheres, ricos e pobres, escravos e livres, formando juntos a herança escolhida de Deus, a herança compartilhada entre todos os crentes, nunca significando uma posição individual especial.

Um povo sem “clero”

“Clero” é a palavra utilizada para indicar alguém que ocupa um cargo oficial, ou líder pastoral de uma igreja ou denominação, normalmente empregada para designar alguém que exerce funções como um profissional, no qual vive apenas do sustento por meio do evangelho ou que se envolve no serviço religioso por causa do dinheiro recebido, esse tipo de conduta não é encontrado no Novo Testamento, onde diferentemente, encontramos pessoas dispostas por amor a Deus e aos outros a levar o Evangelho da Graça para todos sem monetizar esse tipo de função.

Cumprimento do Antigo Testamento

No Antigo Testamento, todo o povo era chamado para pertencer a Deus, ser o povo de Deus e servir os propósitos de Deus (Ex 19:6), porém apenas alguns receberam um chamado especial para liderar o povo e falar a palavra de Deus, são os profetas, sacerdotes, sábios e príncipes. Eles aguardavam pelo dia em que a lei de Deus seria escrita permanente e imutavelmente no  coração de todo o povo, esse sacerdócio do AT é cumprido em Jesus, que fez o sacrifício de si mesmo de uma vez por todas.

A igreja como um povo ministrador

Com essa Nova Aliança, toda a Igreja, segundo a Escritura, é o verdadeiro ministério, servindo a Deus por meio de Jesus no poder do Espírito, sete dias por semana. Na qual todos são clero, todos são leigos, todos tem parte no poder e benção, todos ministram, todos recebem ministério, essa é a constituição da Igreja.

Um Deus – Um Povo

Dois povos ou um?

O anticlericalismo portanto, não deve ser levado ao extremo pelos cristãos, pois Paulo afirma em Ef 4:11 que é da vontade de Deus que a igreja tenha liderança e apóstolos, profetas evangelistas e pastores-professores, porém devemos ter o cuidado de não sermos levados (ou mesmo deixar outros serem levados) por deferências exageradas mostradas a alguns líderes, na qual Paulo novamente nos mostra em sua carta aos Coríntios: “Eu sou de Paulo, ou eu sou de Apolo, ou eu sou de Pedro, ou ainda eu sou de Cristo”, ele mesmo responde “Afinal de contas quem é Apolo?”.

Segundo John Stott, comunidade é a única maneira bíblica de descrever a relação entre os líderes e o resto do povo. Cada membro contribui para uma rica unidade social, como unidade de amor mediante a diversidade encontrada no Deus trino em cuja imagem a Igreja, o “laos tou theou” (o povo de Deus), é criada.

Metáforas do povo de Deus

Repleto de metáforas, o Novo Testamento utiliza o tempo todo delas para descrever a realidade de que a Igreja tem em Deus e sempre são focadas não apenas em uma vida vertical, mas também horizontal do povo de Deus, onde não existem cristãos individuais, uma nova humanidade foi criada com a cruz de Cristo, onde não existem divisões de judeus e gentios, homens e mulheres, livres e escravos.

Entrando por trás da divisão

Stevens diz que numa teologia bíblica do laicato, devemos deixar para trás o problema clérigo-leigo que contaminou a igreja desde o terceiro século e descobrir o que Deus pretendeu originalmente para o seu povo. Paulo redescobriu algo que precedia a lei e lhe dava significado, a promessa. Essa é a única forma de irmos além ao invés de simplesmente opor o clericalismo.

Um Deus – Três Pessoas

O ministério do laos é participação no ministério contínuo de Deus (Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo) e simultaneamente participação no ministério do envio de Deus. Esse ministério tem início quando nos unimos a Deus e todo ministério é de Deus e Ele continua seu ministério por meio do povo de forma criativa, restauradora, unitiva e curativa.

Segundo Paul Stevens, cada uma das três pessoas da Divindade contribui para esta rica compreensão da consciência de povo e ministério. O Pai cria, sustenta providencialmente e forma uma estrutura de aliança para toda a existência. O Filho encarna, media, transfigura e redime. O Espírito capacita e enche com a presença de Deus. Mas cada um compartilha com os outros – é coinerente interpenetra, colabora.

Favoritismo e Pericorese

É tendência entre os cristãos optarem por favorecer uma das três pessoas da Trindade, Normalmente buscam o Pai quando procuram providência, sustento e adoração, o Filho ao associar com salvação, redenção e discipulado, e o Espírito Santo ao buscarem experiências, dons e renovação.

Para uma doutrina rica e completa da Trindade, esse tipo de conduta deve ser ignorado, pois Deus não é Deus separado uma pessoa da outra e nem uma soma das mesmas, Deus é um porque é três, compartilhando cada pessoa da mesma essência da outra.

Comunhão ou União?

O sentido de laos, ou seja, o povo de Deus, não significa que nós nos fundimos com Deus ou uns com os outros, mas sim que Cristo está em nós, não nós em Cristo, e o laos interagem e derramam vida uns nos outros sem haver uma fusão. Diante do dilema clérigo-leigo, vemos que ser um povo pericorético significa ser uma comunidade sem hierarquia, ela pode possuir liderança, ela pode ser uma igreja sem laicato ou clero.

Chamado e equipado por Deus

Chamado numa era pós-vocacional

Vocação que no latim significa ser chamado ou ter um chamado, vem sido perdida no mundo moderno e pós-moderno pelo fato de que  praticamente as únicas pessoas que falam de ser “chamadas por Deus” são os missionários e pastores de tempo integral. A doutrina bíblica da vocação propõe que toda a nossa vida encontra sentido na relação com o chamado de um Deus bom. Atualmente estamos vivendo em uma época pós-vocacional, pois sem alguma teologia vocacional acabamos em alternativas enfraquecidas, como o fatalismo, sorte, carma e niilismo.

Vocação Pessoal

Lutero em sua reflexão sobre os votos monásticos, diz que é uma falsa suposição crer que existe um chamado especial para cristãos que vivem uma vida monástica, mas que o chamado de Deus vem para cada um nas tarefas comuns. O chamado do indivíduo não é o seu negócio ou ocupação, mas a posição de uma pessoa na sociedade. E sobre a ideia que servir a Deus tem a ver apenas com a adoração na igreja, Lutero rejeita isso acusando de “pior estratagema do diabo”, pois o serviço para Deus deve ser realizado não só nas igrejas como também nos lares, na cozinha, na oficina, no campo.

– Há um chamado pessoal para todos?

Há o chamado efetivo, onde todos os crentes experimentam esse chamado, que é o de tornar-se discípulo.

Há o chamado providencial, que é o chamado onde pessoas são atraídas para Deus para uma forma particular de serviço sem um chamado sobrenatural.

Há o chamado carismático, onde dons e graças providos por Deus mediante o Espírito está escrito em nosso próprio ser.

Há o chamado do coração, em que o Espírito cria em nós o desejo de um determinado serviço, seja na igreja ou no mundo.

Os cristãos evangélicos costumam viver com medo de não estar no centro da vontade de Deus, criando uma ilusão de que o ministério pessoal e o evangelismo são as únicas expressões verdadeiras do chamado.

Nossa vida na totalidade, então, deve ser levada em resposta ao chamado salvador e transformador. Discernir a orientação de Deus em nossas vidas é aprender como viver para agradá-lo em toda dimensão.

Vocação Cristã

Stevens nos dá três perspectivas para a vocação cristã, sendo elas o chamado no Antigo Testamento, o chamado no Novo Testamento e o chamado nas cartas de Paulo. No primeiro caso, do AT, Deus usa a linguagem de chamado principalmente convocando o povo para um grande propósito divino, normalmente levantando líderes para a execução desse chamado. No Novo Testamento, vemos Jesus usando “chamado” para descrever seu convite para o arrependimento, entregar-se a Ele e viver para o reino de Deus. Nas cartas de Paulo, o apóstolo nos apresenta uma visão onde Cristo nos chama para vivermos uma vida cristã em sua totalidade para sermos santos e de acordo com um propósito de salvação, discipulado e pertencer a Ele. Paulo também nos mostra que devemos andar de modo digno do chamado que recebemos e que não somos auto-escolhidos, mas é Deus que nos escolhe.

Deus nos chama para pertencermos a Ele, ou seja, fazer de nós filhos que antes estávamos abandonados, Ele nos chama para sermos seu povo santo para louvor da Sua glória em todos os aspectos de nossas vidas e para cumprir seus propósitos na igreja e no mundo.

Vocação Humana

Em discussões sobre vocação, normalmente são abordados dois mandatos bíblicos, o da Criação e a Grande Comissão.

No Mandato da Criação, somos chamados para dominar a Terra com responsabilidades cívicas e na Grande Comissão, somos chamados para darmos testemunho de Cristo até os confins da Terra. São mandatos referentes a Criação e a Salvação.

Geralmente, denominações se alinham em alguma preferência por um desses dois mandatos, o que tem sido trágico, como aponta Paul Stevens, pois a missão se torna separada da vida e fica como uma atividade realizada em apenas alguns momentos da vida, ficando a vida cristã desequilibrada e fragmentada. A Salvação é uma operação de resgate e aperfeiçoamento para a segunda vinda de Cristo e a escatologia é essencial para compreensão da vocação cristã nesse mundo.

A aliança cristã inicia-se em Genesis e termina apenas com a renovação de todas as c0isas em Apocalipse, segundo William J. Dumbrell.

Em amor, é dever da humanidade edificar a comunidade e expressar boa vontade com o próximo o tempo todo, não apenas em determinados momentos do dia. A vocação exige tudo de nós, abrangendo todas as áreas da vida.

Fazendo o trabalho do Senhor

No mundo antigo, em especial na Grécia, o trabalho era mal-visto, ficar sem trabalho era um fato apreciado pois permitia que a pessoa participasse do domínio político e aproveitasse a vida contemplativa. De forma cristianizada do ponto de vista grego, o trabalho produtivo que satisfazia as necessidades do corpo físico não tinha muito significado, em contraste a isso, a vida monástica era a forma de uma vida espiritual e superior, e a vida fora dela como mundana e inferior.

No mundo moderno e pós moderno temos a Revolução Industrial que mudou todo esse cenário, enquanto a vida pré-industrial envolvia a integração entre trabalho, lar e Igreja, ela provocou a desintegração. O trabalho do ministério dura para sempre, o serviço pastoral ou missionário em tempo integral é a vocação das vocações (monasticismo medieval), o trabalho físico e manual é menos digno do que o trabalho criativo e religioso (Renascença). Esse como vemos é o mundo do trabalho, mas para obter uma teologia do trabalho, devemos recorrer a palavra de Deus.

O trabalho nas Escrituras

Deus é um grande trabalhador, Ele logo no começo da Bíblia já o mostra trabalhando, como na criação do mundo e do homem. O trabalho é um ponto real de ligação entre Deus e o homem.

A Bíblia também nos mostra o trabalho como sendo algo que Deus dá para o homem, como aponta em Genesis em que Ele ordena Adão para cuidar do jardim.

“Sonhar com um paraíso sem trabalhar é buscar algo diferente do propósito e do plano de Deus. O trabalho é bom – bom para a Criação, bom para o nosso vizinho, bom para nós. Mas o Trabalho é limitado. A humanidade foi feita para descansar como Deus o fez. O trabalho não é tudo.” – Paul Stevens.

Com a morte de Cristo, podemos ser vencedores no lugar de trabalho e não vítimas do sistema, nós iremos lugar com o trabalho até o fim, mesmo quando nos envolvemos no chamado trabalho cristão.

Nas Escrituras, encontramos pessoas fazendo trabalhos de todos os tipos, desde os manuais até os criativos e não encontramos nenhuma depreciação ou exaltação de um ou outro. Pelo contrário, a Bíblia nos deixa algumas passagens advertindo contra a preguiça e ociosos. O homem que trabalha, necessita ter seu feito abençoado por Deus, ou tudo isso é inútil e vazio.

Jesus mesmo em sua vida foi um trabalhador, a Bíblia diz que Ele foi um carpinteiro (ou pedreiro). Segundo Alan Richardson, “A jaqueta do trabalhador era uma roupa adequada para Deus que a revelação bíblica tinha sempre apresentado como um trabalhador”.

Quando várias pessoas perguntaram a João Batista o que deviam fazer para produzir “frutos que mostrem o arrependimento”, ele disse ao povo que aqueles que tivessem duas túnicas deveriam reparti-las com aqueles que não tinham nenhuma; os cobradores de impostos não deviam cobrar mais do que o devido e cabia aos soldados contentar-se com o seu salário. (Lc 3:8-14).

O trabalho de Deus

Deus, o líder, faz trabalho de edificação comunitária e faz com que as coisas sejam consumadas. Toda ocupação humana legítima (remunerada ou não) é uma dimensão da obra de Deus. Os crentes são atraídos para a obra de Deus em sua plenitude.

É através de Deus que somos motivados pela Sua boa vontade de exercer uma ordem, vocação ou chamado e capacita Sua criatura a fazer esse trabalho.

O trabalho de todo cristão é de levar o evangelho para todos e servir aos propósitos do reino de Deus no mundo. O privilégio de ser sustentado, que é um direito dos apóstolos e dos presbíteros que pregam, ensinam, é um dom gracioso da Igreja e deve ser oferecido por iniciativa da Igreja. Os cristãos trabalham então em ambos os sentidos, trabalho do Pai na mordomia criativa e trabalho do Filho na divulgação do evangelho. Não existem no NT referências a religiosos profissionais, em contrapartida, esse trabalho é feito de forma voluntária por amor.

Segundo Volt, todo trabalho humano é colaboração com Deus que age em nós por intermédio do Espírito de Cristo. Os dons do Espírito incluem mais do que as atividades eclesiais, Paulo em suas cartas, nos exorta para andarmos no Espírito e vivermos no Espírito, claramente isso é para nossa vida diária e não apenas para uma espiritualidade.

O trabalho de Deus é feito em todas as áreas de nossa vida e todo trabalho humano é um dever e uma atividade divina, onde em comunhão com Ele somos colaboradores.

O trabalho é bom

Todo trabalho guiado por Deus é divinamente bom, Ele mesmo achou bom o trabalho de ter criado o mundo e sua criação. O trabalho é intrinsecamente bom para nós, bom para o mundo e bom para Deus.

O trabalho permite o nosso sustento pessoal e de outras pessoas, nos ajuda a compartilhar o que temos em excesso, pagar impostos e sermos despenseiros, O trabalho do evangelho restaura os indivíduos a Deus e produz paz, significado, perdão e esperança.

O trabalho – como aponta Bonhoeffer – também é bom pois liberta o ser humano de seu egocentrismo, o mundo é apenas um instrumento na mão de  Deus para purificação de interesse egoísta. O trabalho no mundo só pode ser feito quando a pessoa se esquece de si mesma, quando se perde numa causa, numa realidade.

Stevens diz: “O trabalho é bom para nós, para o mundo, bom para os outros e até bom para Deus. Se Deus fala que o trabalho “é bom”, por que não fazermos o mesmo?”.

Ministério – Transcendendo o clericalismo

Quando falamos do chamado de alguém para o ministério, instantaneamente isso é associado a pregação e no ministério sacramental. Apenas uma pequena minoria das pessoas é sustentada pela igreja para exercer seu ministério em tempo integral e a grande maioria fica em um estado como se não fizesse parte do ministério de Deus na igreja e no mundo.

A boa notícia é que a Bíblia nos dá uma perspectiva libertadora sobre isso, o ministério é definido por quem é servido em vez da aparência e situação das obras feitas. Ministério é serviço a Deus e a favor de Deus na igreja e no mundo. Ministro são pessoas que se colocam à disposição de Deus em benefício de outros e do mundo de Deus, não ficando limitado pelo lugar onde o serviço é prestado, pela função ou pelo título. A essência do ministério/serviço é colocar-se a disposição de Deus, servindo-o com toda a nossa vida.

Contrariando os padrões de liderança, Jesus exerceu todo seu ministério como servo, Ele disse que todo aquele que quiser ser grande deve antes servir. Quando o povo não cumpriu o desígnio de Deus de ter um servo na Terra, Deus tornou-se seu próprio servo.

A igreja é ministério

O ponto decisivo de ser discípulo de Jesus é a diakonia, oferecer a própria vida no emprego a serviço do Senhor até a morte. O ministério é uma atividade que faz parte da essência do povo de Deus. A Igreja não tem um ministério, ela é ministério.

Paulo descreve sua função indicando que o servo cristão é em primeiro e último lugar um serviço de Deus e não das pessoas, e um servo das pessoas por ser servo de Deus.

Todos são servos, todos podem ministrar. A razão para esta recusa em fazer distinção de classe para certos servos oficiais é profundamente lógica e crucial para o desenvolvimento de uma teologia de ministério para todo o povo de Deus.

Serviço trinitariano

O ministério não é apenas uma atividade humana em que nos envolvemos por dever ou admiração pelo exemplo de Jesus, trata-se de algo que nos leva ao coração de Deus. O ministério é exercido por intermédio de Cristo, no Espírito, onde o povo desempenha o serviço de Deus na terra. O ministro da Igreja é Jesus no Pai, através do Espírito Santo e o ministro do mundo é Deus mediante o povo de Deus como um todo.

Ministério é Deus continuando seu serviço de amor em e por meio do seu povo, onde por estarmos em Cristo através do Espírito, devemos participar do mundo que Deus tanto ama.

Uma teologia trinitariana de ministério propõe que serviço seja a expressão da vida de amor do Deus trino mediante todo o povo de Deus, na presença do Espírito que capacita.

Líderes ministradores

A doutrina da Trindade é essencial para nossa visão do ministério, especialmente sobre o líder ministrador. Funções e serviços irão aparecer, mas não sem a participação no serviço de Deus e sem uma realidade em comunhão com o Espírito Santo.

O Novo Testamento nos mostra líderes que serviam não apenas em um único local fixo, mas também se deslocavam para outros lugares para pregar o Evangelho. O povo não tinha interesse na autoridade desses líderes, mas sim em seus serviços prestados. Os líderes são necessários para preparar os santos e edificar o corpo, eles são essenciais para organizar corretamente a comunidade e ensinar para o povo a autoridade de Jesus.

O chamado para o cargo pastoral que alguns recebem de Deus, não pode ser entendido como única via de chamado ministerial para os crentes como único modo do povo exercer seus dons na Igreja. Os chamados ministeriais, segundo Calvino, possui testemunho do nosso coração de que recebemos o cargo recebido sem ambição, avareza.ou desejos egoístas, mas sim com temor a Deus e desejo de edificar a Igreja, só assim teremos um ministério aprovado por Deus.

Lutero diz que um cristão em um ambiente de não-cristãos, não deve esperar nenhum tipo de chamado para pregar para o povo, pois ele tem como dever ensinar em amor fraternal, porém se estiver em um lugar com cristãos, ele deve esperar um chamado ou ser escolhido por outros para ensinar e pregar nesse local.

Além dos chamados efetivos, providenciais, carismáticos e do coração, quando falamos de vocação pessoal, deveria haver, no caso dos líderes da igreja, um chamado eclesiástico, onde a adequação da pessoa deve ser discernida nos dons e no caráter. As principais bases bíblicas em que a pessoa pode assumir a liderança pastoral estão no caráter, boa reputação, comportamento ético prático e dons de liderança dados por Deus.

Temos então uma visão sacerdotal do ministério de um lado e a visão puramente funcional de outro, para resolver essa questão devemos recorrer a visão teológica do ministério da Igreja como um ofício carismático, o serviço de liderar a comunidade, e portanto, uma função eclesial da comunidade e aceita pela comunidade.

Sabendo-se então dessa visão, resolvemos que ministério é nos colocarmos à disposição de Deus para Seu próprio propósito na Igreja e no mundo, onde todo o povo de Deus como comunidade é o verdadeiro ministério de Deus.

Para a vida do mundo

Profetas, sacerdotes e reis

A Igreja é muito mais do que apenas encher seus bancos com novos membros, ela existe pois foi criada por Deus para ser agente principal de seu Reino na Terra. Os cargos triplos da Aliança do Antigo Testamento nos ajuda a compreender o ministério de todo o laos em Cristo. Essa é uma identidade missionária de todo o povo de Deus, profetas falando a palavra de Deus, cuidando das necessidades públicas e sociais, sacerdotes mediando a presença de Deus e ministrando as necessidades sociais e espirituais,  e reis estendendo o governo de Deus para toda a criação de Deus e necessidades organizacionais e políticas. Tudo isso preparando Israel para ser a nação santa realizando os propósitos de Deus.

Com a vinda de Cristo, todos esses três papéis de profetas, sacerdotes e reis, são cumpridos nele e o povo de Deus encontra um meio de expressão, tornando-se profetas no sentido de expressão direta da presença capacitadora de Deus no povo de Deus e sacerdócio de todos os crentes.

A Igreja ensinada por Deus por meio da Escritura e do Espírito é uma Igreja que ensina e prega, todos os crentes conhecem a Deus, são ungidos para revelação e capazes de interpretar a Escritura por meio do Espírito.

A primeira preocupação de pastores/líderes é de preparar a Igreja para pregar, pois como parte da edificação dos crentes para que não sejam mais meninos, a Igreja é a porta-voz do Reino de Deus na Terra, todos tem esse chamado, a pessoa não precisa de um dom específico para ser testemunha.

A Igreja é uma comunidade profética, mas para isso cada cristão necessita ser enchido continuamente do Espírito Santo, fugir do pecado e ser humilde. Segundo E.H. Oliver, a Igreja tem uma função profética agindo como uma consciência para a sociedade, educando e inspirando, iniciando novos ministérios, estudando para prevenir, em vez de curar, transformando os ajudados em ajudantes.

Todo cristão é um sacerdote, não havendo assim diferença entre este e um simples cristão, qualquer crente que anuncia o Evangelho é um sacerdote. Nós somos procedentes do permanente sacerdócio de Jesus, temos acesso direto a Deus por meio dele, não precisamos de mediadores sacerdotes humanos para isso, Jesus é suficiente.

Não existe um crente solitário, antes ele deve estar vivendo em comunhão com uma comunidade, a comunidade de Deus no mundo, cada um desses indivíduos é um sacerdote, sendo abençoados por Deus e abençoadores no mundo com a presença de Deus. Apenas com todos os santos que podemos conhecer plenamente a Cristo ou torná-lo plenamente conhecido.

Missão – Um povo enviado por Deus

O termo missão foi usado até o século XVI de um modo diferente como compreendemos hoje em dia, “missão” tinha um significado trinitário, onde o Pai envia Jesus, e envia o Espírito Santo pelo Pai e pelo Filho. Após um tempo, “missão” veio a ser usado, pelo menos até os anos 50, como o envio de pessoas através de fronteiras para propagar a fé, converter os pagãos, plantar igrejas e fazer obras de melhoria social.

Missão é o que Deus está fazendo no mundo por meio da vida da igreja, e mesmo sem a igreja, a fim de levar sua criação a consumação: a unidade e plenitude de Jesus Cristo.

Missio Dei (missão de Deus) deve ser compreendida não só como Deus quem envia, mas simultaneamente Aquele que é enviado, cada pessoa da divindade, Deus trabalha em sua totalidade. Como revelação, Jesus declara quem Deus é, como Ele opera, quais os seus propósitos, como Ele quer atrair a humanidade para ter comunhão com Ele e qual a sua vontade salvadora para o mundo. Jesus não só declara o reino de Deus, como também personifica esse reino. Pela sua crucificação, ressurreição e exaltação, Jesus é Senhor sobre todos os poderes e cabeça da igreja.

A missão é contínua pois o Pai trabalha em conjunto do Filho mediante o dom do Espírito Santo em todo seu laos, sem essa combinação e trabalho, não haveria igreja, congregação e muito menos missão.

A Igreja não é a agência que envia, mas sim a agência enviada, Deus dá um chamado e capacita os que são enviados, Ele usa seus enviados como ferramenta de trabalho para Sua missão como fonte de amor, como forma de abençoar todas as nações por meio da ressurreição de Cristo e do derramamento do Espírito.

O Antigo Testamento nos dá diversas passagens e promessas missionárias, desde o Pentateuco, passando por Isaías, Salmos, Daniel e diversos outros profetas.

Na Nova Aliança, Jesus vem como missionário, o enviado por Deus que também é Deus. A visão missionária de Paulo focava em ver a igreja como a comunidade escatológica do Espírito capacitando judeus e gentios para compartilhar a nova humanidade de Deus.

Para o missionário, não existe lugar que ele não possa ir e falar sobre Deus, todo lugar é passível de evangelismo e justiça social, não importando a ordem delas, o próprio Espírito aponta qual deve vim primeiro relativo ao contexto do ambiente. As boas obras são parte integrantes da presenta manifestação do reino, temos entendimento de que não são elas que irão salvar ou convencer os crentes com respeito à verdade do evangelho.

Missão é, portanto, segundo Stevens, juntar-se a Deus em sua atividade de cuidado, sustentação e transformação na terra. Missão é boas novas para o mundo. É boa nova porque leva o povo a relacionar-se com Jesus.

A missão da igreja não é introduzir a igreja, ou sequer ampliá-la. A missão da igreja é introduzir o Reino.

Preparação para a missão

Quem nos prepara para a missão é Deus, nos dando visão e dons, capacitando mediante a presença do Espírito, motivando e guiando. A igreja deve ter assim como Paulo, uma visão celestial. A missão é adoração porque é o trabalho externo de Deus, vivendo fora de si mesmo, amando fora de si mesmo. Paulo não se gloria em si mesmo ou mesmo de seus serviços; ele se gloria em Jesus Cristo.

Atualmente as igrejas estão focadas no “venha”, onde se chama crentes para comungar com elas, porém é necessário um interesse no “vá”, para que os crentes possam alcançar uma parte específica da sociedade.

Resistência – Enfrentando os poderes

Os cristãos comuns enfrentam diariamente o tempo todo problemas e ataques de tudo quanto é tipo de poderes, são principados e potestades disfarçados de conformidade, estrutura de poder, legalismo, institucionalização e ataque satânico direto.

Em contrapartida a algumas pessoas que pensam que os escritores do Novo Testamento não sabiam o que falava e que estamos agora em posição de explicar a dificuldade que encontramos no mundo, agora outras pessoas reconhecem que os escritores do NT sabiam a que estavam se referindo, conheciam perfeitamente as complexidades do mal, mas agora não tem como explicar essa visão para os homens de hoje senão sendo reinterpretando os principados e potestades em termos sociológicos e psicológicos.

Antes, precisamos entender que a Bíblia diz relativamente pouco sobre a fonte suprema do mal, ela se concentra em descrever a complexidade da nossa vida neste mundo, e mais importante que tudo, a supremacia de Deus sobre todos os poderes que se opõem à plena introdução do seu reino.

É normal os cristãos ignorarem a ação de seres espirituais malignos no mundo, estruturas e na vida das pessoas, procurando apenas explicações em padrões culturais e sociais humano, enquanto que não podemos de forma alguma ignorar esse tipo de ação por ser bíblico.

Missão e Ministério

Para lidarmos com o mal, precisamos tratar o mundo não nos conformando com ele, mas sim nos conformarmos com a vontade de Deus, mortificando nossa carne e aspirando do Espírito. É o Senhor que transforma nosso interior a fim de podermos transformar o mundo em vez de nos conformarmos com ele.

A principal estratégia contra falsas reivindicações dos poderes é pregar o evangelho, fazer com que os poderes se ajoelhem é tarefa de Cristo, a nossa é de nos armar com Cristo e pregar sua cruz.

Os poderes são fachadas para o grande plano de Satanás de afastar as pessoas de Deus. A ideia de sofrer falta de poder tem como modelo a cruz. Os sistemas e poderes foram colonizados por Satanás e só podem ser derrubados pelo próprio Deus.

O cristão tem diversas ferramentas e meios para fazer justiça social, sendo esse, o meio de não nos conformarmos com o mundo e lutarmos como Cristo nos convidou a fazer: mudar as estruturas da sociedade que cria e multiplica todos os dias essas condições. A justiça social e o discipulado público devem ser mais do que boas obras, devem ser fundamentados teologicamente e orientados para o Reino de Deus.

É necessário para o crente viver em constante oração, intercedendo por outros irmãos. Com a oração passamos a ter a mente de Deus em relação à pessoa ou a situação que estamos levando a Ele. Nós como humanos não conseguimos com nossas mentes seculares entrar em contato com outras pessoas de maneira mais profunda, porém ao orarmos, Jesus nosso mediador, coloca sua mão em cada um e aproxima os dois.

Hoje em dia não é tão comum encontrarmos tantos mártires assim como no século vinte, pessoas que abandonavam tudo o que ama pela causa de Deus, jejuavam e trabalhavam pesado para se livrar de seus desejos e suportavam uma cruz, esses são os que a Bíblia nos mostra em seu último livro como “cristão-modelo”.

Somos convidados a deixar belas marcas na criação, ambiente, família, cidade, emprego e nação. Temos fé de que um dia Jesus irá transformar todas as marcas ambientais, sociais, culturais e políticas que deixamos com o nosso trabalho.

Vivendo teologicamente

Paul Stevens, diz que esse título, vivendo teologicamente é contraditório. Considerando em tudo isso que aqui está escrito, como a igreja é um povo sem laicato ou clero, chamado e preparado por Deus para a vida do mundo, fica óbvio a proposta de uma teologia diferente daquela geralmente aceita.

O perigo da teologia não-aplicada

A ortodoxia envolve mais do que simplesmente falar o que é certo sobre Deus, como por exemplo os amigos de Jó, que falavam sobre Deus, Jó falou com Deus e ao fazer isso, ele falou bem de Deus, sua teologia era ortodoxa. O perigo da simples ortodoxia intelectual é que somos tentados a pensar que podemos manejar Deus. Os que adoram o Senhor se tornam livres e espontâneos, Deus jamais pode ser contido pela mente humana.

A teologia começa com admiração e não com problemas, a ortodoxia trata então da vida de adoração.

Vida verdadeira para a glória de Deus

O alvo da educação teológica bíblica é aumentar nosso amor por Deus e tornar-nos mais humanos. A doutrina que não leva a doxologia é demoníaca, como Paulo disse em sua carta aos Efésios o propósito da congregação e educação apoiada na vida é que os santos irão viver para louvor da glória de Deus. A teologia ortodoxa precisa de uma aplicação em nossas vidas, ela nos leva a adoração de Deus e possibilita a viver uma existência humana genuína.

Ortopraxia

A Bíblia nos dá dois parâmetros referente a obras e salvação, ela nos diz que pela graça que somos salvos, porém também que a fé sem obras é morta. Ela nos mostra uma vida vivida em sua totalidade devocionada ao Reino, sem qualquer distinção entre a vida dentro e fora da igreja. Quebrando paradigmas de laicato e clero, o povo de Deus é chamado para servir, não por obrigação, obediência ou esperando algum tipo de aprovação, mas para glorificar o Senhor.

Uma pregação pode muito bem não ser do agrado de Deus, enquanto uma dona de casa lavando louça pode estar adorando a Deus. A grande diferença está em fazer algo pela fé ou não, a verdadeira ação cristã é espontânea, a ortopraxia é a ação em harmonia com a vontade de Deus, conhecendo cada vez mais a Ele.

Ortopatia

O cultivo do coração — um meio mais completo de saber — é justamente o que a nossa cultura pós-moderna aprova. Contudo, a reação bíblica ao desafio pós-moderno não é abandonar a razão, mas permitir que Deus evangelize nossos corações e nossas mentes, no sentido de desejarmos o que Deus deseja. Como conhecimento prático da unificação do coração e da mente por Deus, a teologia tem o caráter de sabedoria.

Jó foi um exemplo de ortopatia, mesmo em meio a tantos testes, provações e cansaço, ao invés de pedir saúde, ele desejou mais de Deus.

Cuidar dos interesses de Deus na vida diária e cuidar de Deus acima de tudo, isso é ortopatia.

Ortodoxia, ortopraxia, ortopatia. As três palavras apontam para a fusão entre a teologia e a vida diária: teologia e vida ligadas em louvor (ortodoxia), prática (ortopraxia) e paixão (ortopatia). O que Deus unius, que nenhuma instituição teológica possa separar.

Devemos buscar uma teologia não apenas acadêmica, mas sim uma teologia que nos aproxime de Deus, que nos leve a amar ainda mais nosso próximo, vivendo de maneira integral o reino de Deus aqui no mundo mesmo, na esperança do Novo Céu e Nova Terra.

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Síntese escrita a partir do livro Os Outros Seis Dias, escrito por R. Paul Stevens

A ressurreição de Cristo

O texto abaixo é uma síntese sobre a ressurreição de Jesus Cristo feita a partir do livro de Teologia Sistemática de Alister McGrath. O conteúdo não é referente a minha opinião pessoal a respeito desse assunto.

A ressurreição de Jesus Cristo

A ressurreição de Cristo é motivo de questões teológicas, onde se diz que Cristo tenha ressucitado dos mortos, sendo como componentes centrais da crítica Iluminista em relação ao cristianismo tradicional.

O Iluminismo: A ressurreição como algo que não aconteceu

No Iluminismo, onde a razão e a experiência vivida atualmente, semelhante a acontecimentos do passado é que devem ser levados em conta para explicar a ressurreição de Cristo. Em vista que hoje em dia não vemos acontecimentos de ressurreição, não há como crer nisso com reflexões racionais, pois necessita apenas da fé e aceitar a autoridade de outros.

Para Lessing, ser forçado a aceitar o testemunho alheio equivaleria a comprometer a autonomia intelectual do ser humano. Portanto a ressurreição não aconteceu.

A ressurreição como mito – David Friedrich Strauss

Strauss em sua abordagem sobre a ressurreição parte do pressuposto do Iluminismo de que milagres são impossíveis, ele apresenta suas ideias sobre esta perspectiva na intenção de explicar a origem da fé na ressurreição de Cristo de forma absolutamente independente de algum milagre.

A crença na ressurreição é algo subjetivamente concebido pela mente, a fé nela decorre da “recordação exarcebida da personalidade do próprio Jesus”, por meio da qual houve uma projeção da memória, levando a ideia de uma presença viva. De acordo com Strauss, Cristo é um ressurreto mítico.

Segundo Strauss, os evangelistas deveriam ser encarados como pessoas que compartilhavam da visão mítica que dominava o contexto cultural em que estavam inseridos, essa linguagem mítica era parte natural de expressão daquelas pessoas que tinham uma visão de mundo fundamentada em mitos.

A ressurreição como evento na experiência dos discípulos – Rudolf Bultmann

Bultmann assim como Strauss, também acreditava que milagres eram algo impossíveis de se acreditar, logo a ressurreição de Cristo como um fato objetivo não era possível.

A ressurreição não pode ser levada a sério nos dias atuais, onde por termos a ciência e a razão como base de nossas vidas, acreditar num mundo de milagres e espíritos é algo descartado e initeligível. A ressurreição deveria ser considerada como um mito que passou na experiência subjetiva dos discípulos e não como um fato ocorrido na história. Para ele, a ressurreição havia de fato acontecido, porém no sentido de proclamar as Boas Novas.

A ressurreição como fato histórico além da investigação crítica – Karl Barth

Segundo Karl Barth, a ressurreição de Cristo não deve ser interpretada apenas como um evento histórico e analisada de forma crítica quanto ao seu acontecimento, como crê Bulltmann. Para Barth, a ressurreição deve ser encarada a luz da fé, pois não existem meios de pesquisa que comprovem se realmente ocorreu ou não.

Barth destaca que Paulo e os demais apóstolos não exigem a “aceitação de um relato histórico inteiramente comprovado”, mas sim a “decisão de fé”.

A ressurreição como fato histórico aberto à investigação crítica – Wolfhart Pannenberg

Pannenberg utiliza de fundamentos da história universal para obter respostas da teologia. Para ele, a revelação é essencialmente um fato histórico público e universal, reconhecido e interpretado como um “ato de Deus”, o que gerou críticas pois isso parece reduzir a fé ao discernimento, negando qualquer participação do Espírito Santo no evento da revelação.

A história, segundo Pannenberg somente pode ser compreendida quando vista a partir de seu ponto final, pois a partir desse ponto o processo histórico pode ser visto por inteiro, toda a chave de interpretação histórica está em Jesus Cristo, que nos revela o fim da história antecipadamente.

Ao contrário de Bulltmann, Pannenberg defendia a ressurreição de de Cristo como fato histórico objetivo, testemunhado por todos que tiveram acesso à evidência,  sendo um fato da história universal.

A proposição de que “Jesus não ressuscitou dos mortos” será um pressuposto dessa investigação e não a conclusão. As evidências históricas que apontavam para a ressurreição de Jesus deveriam ser investigadas de forma insenta, sem se deixar contaminar pelo pressuposto dogmático apriorístico de que era impossível que a ressurreição tivesse ocorrido.

Para ele, a ressurreição de Jesus antecipa a ressurreição universal que ocorrerá no fim dos tempos, a ressurreição de Jesus está ligada à auto-revelação de Deus em Cristo, ela define a identidade de Jesus em Deus e permite que essa identidade seja projetada no ministério que Jesus desenvolveu antes da ressurreição.

A ressurreição e a esperança cristã

Um dos papéis principais da ressurreição diz respeito à afirmação da divindade de Cristo. A ressurreição define e sustenta a esperança cristã, em relação a soteriologia e escatologia, dando interpretações de como a cruz representa a vitória de Deus sobre a morte e esperança cristã da vida eterna.

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Síntese escrita a partir do texto “A ressurreição de Cristo” do livro Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica de Alister E. McGrath.

Sola Scriptura – Somente a Escritura

Eu fico pensando com frequência sobre pastores que pregam doutrinas anti-bíblicas, doutrinas que jamais foram ditas por nenhum dos apóstolos (apóstolos de verdade) e muito menos por Jesus. Ao serem questionados de onde estão baseadas suas afirmações, dizem prontamente que é da própria bíblia ou até mesmo de revelações do Espírito Santo, mas obviamente que essas afirmações são falsas, afinal extraem versículos e passagens para confirmar aquilo que querem dizer, sem nenhuma base teológica. Leia Mais